sexta-feira, junho 26, 2009

Ou comemos as vacas ou comemos os gorilas

Então, depois de passar alguns meses torturantes de trabalhos forçados absurdos e desumanos, vou tentar resumir um pouco alguns textos que pensei neste tempo mas que não tive tempo e/ou energia para escrevê-los.

*****

A vida no subte

A vida no subte acho que não difere muito de uma cidade para outra. O metrô do Rio tem o mesmo problema que o daqui: muita gente ao mesmo tempo agora.

Enfim...

Para contornar um pouco esse incômodo, eu leio sempre um livro na viagem. Sempre em pé porque, embora morasse perto da penúltima estação e, portanto, só deveria haver o pessoal de uma estação antes de eu entrar no trem, eu nunca consegui me sentar.

No outro dia, estava tranqüilamente lendo o meu lilvro e noto que uma menina de uns seis anos está sentada com sua mãe perto de mim. Ela não parava de se mexer, olhando de um lado para o outro e eu não conseguia tirar os olhos dela.

Não, não desenvolvi nenhuma tara pedófila. A criança simplesmente brilhava em meio à escuridão que era aquela gente do metrô. Enquanto todos estavam quietos, com uma expressão vazia no rosto e um ar de resignação exalando pelos poros, ela simplesmente se maravilhava com tudo ao seu redor.

Foi um pouco impactante perceber como as pessoas – incluindo eu mesmo – se afogam nas suas rotinas diárias e nem percebem. Como somos capazes de simplesmente passar por partes da vida como se alguém tivesse apertado o FastFoward ou o roteirista tivesse dado um corte de cena e você estivesse simplesmente se dirigindo para a próxima cena relevante a ser gravada do filme da sua vida.

Fato é que a menininha simplesmente achava tudo muito interessante e se recusava a passar por aquele momento como se fosse apenas uma espera para o próximo momento a acontecer. Claro que tudo é incosciente para ela, mas não deixa de ser interessante de ser notado.

Depois de pensar algumas estações sobre isso, a menina desceu e eu voltei àquele mundo acinzentado dos adultos à caminho da próxima cena relevante da vida. Tinha suspendido de novo meu livro e voltado a ler quando percebi a senhora sentada na minha frente com um olhar um pouco espantado.

“Será que depois de velhos nósvoltamos a nos interessar pelos pequeno momentos da vida?” Então notei que ela olhava com certa atenção e sem querer olhar ao mesmo tempo para a capa do meu livro.

Virei a capa e li em espanhol o título “Erecciones, eyaculaciones, exhibiciones”, do Bukowski, e via o desenho de uma mulher pelada com os peitos destacados.

Dou de ombros e volto a ler.

Acho que fiz minha parte para tornar o mundo melhor e tirei a senhora do seu marasmo cotidiano.

*****

Esse era pra ser pro Chimi em um dado momento que não existe mais e, se tudo der certo, nunca mais vai voltar.

Então, nesse momento, ele deve ser um tanto quanto brega e desencontrado. Antes era só brega.

Maybe I didn't treat you, quite as good as I should have.
Maybe I didn't love you, quite as often as I could have.
Little things I should have said and done,
I just never took the time.
You were always on my mind, You were always on my mind
You were always on my mind.

Maybe I didn't hold you, all those lonely, lonely times.
And I guess I never told you, I'm so happy that you're mine.
If I made you feel second best, girl I'm so sorry I was blind.
You were always on my mind, You were always on my mind
You were always on my mind.

Tell me......, tell me that your sweet love hasn't died.
Give me......, give me one more chance to keep you satisfied, satisfied.
Middleplay

Little things I should have said and done, I just never took the time....
You were always on my mind, You were always on my mind
You were always on my mind.
Middleplay Only basspick the chord fast

Maybe I didn't treat you, quite as good as I should have.
Maybe I didn't love you, quite as often as I could have.
Maybe I didn't hold you, all those lonely, lonely times.
And I guess I never told you, I'm so happy that you're mine.

So happy that you're mine.

A versão do Elvis, tá. Não a do Pet Shop Boys.

*****

Às vezes fico com a impressão de que se eu desse um Ctrl+C / Ctrl+V nos meus dias de trabalho, ia dar no mesmo.

Acho que estou me repetindo até nos temas dos posts...

Merda!

*****

Tá e o que significa o título deste post?

Sei lá!

Eu tava passando pela rua quando vi isso pixado como um manifesto político na parede de uma casa velha.

Quem sou eu para questionar o senso político argentino? Eu só passo adiante.

sexta-feira, junho 05, 2009

Muita falta de ambição

ou Coisa de gordinho, mesmo...

Estava eu andando na rua quando vejo um caminhão de entrega de queijos em frente ao uma mercadinho.

Ao ver todas aquelas fotos lindas de queijos deliciosos estampadas na caçamba do caminhão pensei com os meus botões: “se derem mole, eu roubo esse caminhão inteiro pra mim!”

Cheguei até a diminuir a velocidade até quase parar ao passar em frente ao dito cujo.

Cara sem ambição é foda!

quinta-feira, maio 28, 2009

E a vida?

Imagine uma criança feliz. Ela está em cima de um pequeno morrinho na fazendo do avô. O morro é todo gramado e desce até um grande e largo pasto. No fundo do pasto está a casa do avô que acabou de chegar da cidade – provavelmente com algum presentinho adocicado para mimá-la.

Ela sai correndo morro abaixo sentindo o vento refrescante de um final de tarde calorento de verão. Embora seja ela que se movimente, parece que, na verdade, é o gramado do morro que se move na sua direção e fica para trás.

Sua silhueta contra o sol a se por atrás da casa do avô se estende quando ela decide abrir os braços em meio à corrida e deixar-se levar pela emoção da velocidade que alcança.

Seus cinco ou seis anos de idade só lhe permitiram aproveitar plenamente o ato se sua boca estivesse aberta, como se ela quisesse engolir o mundo na sua corrida desgarrada para a alegria.

É descendo o morrinho, em meio ao gramado, com a brisa do final da tarde refrescando sua pele, o sol enquadrando sua silhueta, de braços abertos, de boca escancarada e com uma alegria infinita no coração que a criança nos seus inocentes cinco ou seis anos de idade sublimemente tropeça numa raiz de árvore e cai no chão de cara numa bosta de boi.

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Foi assim que nos sentimos esta semana.

Na sexta da semana passada encontramos um apartamento que adoramos e decidimos sair deste que não gostamos tanto. Era bonitinho e tinha tudo o que gente queria num apê porteño.

Avisamos à dona da nossa atual moradia que sairíamos até o fim de junho e começamos a empacotar os livros e dvds [nós temos um monte de livros e dvds].

Na terça [segunda foi feriado aqui] descobrimos que não podíamos alugar o incrível apartamento que desejávamos tanto. Parece que a imobiliária implicou com a nossa fiadora – no caso, a empresa da Carol – e rolou uma troca de palavrões entre o advogado da imobiliária e o da empresa.

Alguns boludos, pelotudos e a concha da mãe e da irmã dos dois depois, ficamos sem apê novo e com um mês pra sair do velho.

Desespero completo.

Estávamos sozinhos nesse mundo frio de três graus Celsius e gente falando chins e jarrú ao invés de jeans e yahoo.

[Mentira, temos amigos aqui que estão nos ajudando pra cacete e dando a maior força. Mas a gente quer mais amigos, a gente quer o resto dos nossos amigos TAMBÉM, poxa!]

Então decidimos que íamos sair pra comer num restaurante caro. Afinal de contas, ninguém fica triste enquanto come uma comida deliciosa. Pedimos a promoção que comprava um vinho gostoso e vinha outra garrafa, ficamos bêbados, de pança cheia e efemeramente felizes pela deliciosa comida que começávamos a digerir.

Realmente, ninguém fica triste enquanto come uma comida gostosa – ditado de dois gordinhos.

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Bom, depois de procurarmos outros apartamentos, nos desesperarmos pela falta de sorte, brigarmos contra os sites mal-feitos dessa argentinada estúpida e querermos matar qualquer boludo que passasse pela frente [viu! isso pega!], encontramos um apartamento ainda melhor.

Com uma das melhores vistas de BsAs [porque eu sou in, sacou?], cobertura, apartamento novinho em folha e nos trinques – já decidimos que é esse que a gente quer.

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Enquanto isso, fica aquele frio na barriga da espera e da ansiosidade de não ter a confirmação imediata de que o novo apê é nosso e não de algum argentino de mullets escroto qualquer.

Pra passar o momento “arrancado pentelho a dentadas”, nada como um bom doce de leite que algum maravilhoso argentino de mullets fez pra gente comprar.





Afinal de contas, voltamos ao ditado de dois gordinhos:
ninguém fica triste enquanto come uma comida gostosa.

sexta-feira, maio 22, 2009

Já que é assim...

A passagem pelo Rio, embora efêmera, foi muito boa.

Encontramos os amigos queridos, a falta que eles fazem e o carinho que, mesmo à distância, não definha.

Encontramos com a família dela, a dor e a alegria misturadas e convertidas numa festa memorável.

Encontramos a minha família, a feijoada, a cerveja gelada, as piadas e as saudades.


No final das contas, tudo se resumiu a apenas uma frase:


“Minha avó me mandou tomar juízo.
Mas só tinha cerveja.”


Então tomei cerveja, vó!

terça-feira, maio 12, 2009

Being Seth Rogen

Bom, finalmente a natureza deu seu golpe derradeiro que me impede de negar de uma vez por todas a minha condição de nerd.

Agora eu uso óculos.

Fui buscar os meus ontem à noite, por isso ninguém sabe como ficou. Eu, me olhando no espelho, cheguei à conclusão que eu também não sei como ficou.

Só sei que ficou a cara do Seth Rogen, o ator e roteirista de comédias. Eu até gosto dele, mas nem acho que ele seria um exemplo a ser seguido.

Como a patroa levou a máquina fotográfica pro Rio, tudo o que eu tenho é a foto do Seth pros curiosos.


quinta-feira, maio 07, 2009

Como ter peitos grandes

Se você quer ter uma experiência que simule como é ser uma mulher com peitos grandes e um decote indecente, eu tenho a receita.

É muito simples.

Compre um filhote de cachorro e ande com ela na rua levando-o no seu colo.

É impressionante como as pessoas passam por você e não olha na sua cara. Elas não percebem nem a sua presença! Elas só têm olhos para o que vc tem no seu colo, só falam com o que você tem no seu colo e só querem brincar com o que você tem no seu colo.

É uma experiência interessante. Eu recomendo.



Chimi

quarta-feira, maio 06, 2009

Derretendo...


Acho que não deu certo...

O paradoxo do queijo suíço aplicado

-Cara, outro dia tive um problema sério no trabalho.
-O que houve?-Eu sento numa mesa antes da ponta das baias. Uma menina senta do meu lado, bem na ponta da fileira de mesas.
-Sim, e daí?
-Daí que uma outra menina veio falar com ela.
-E?
-E que ela tem uns peitões enormes de grandes.
-E?
-E que ela tava com uma dessas blusas que parecem que vão mostrar tudo no decote, mas o caimento acaba que nao deixa mostrar nada, sabe?
-Sei. Entao você não viu nada.
-Lá no trabalho as baias têm uma divisória de vidro nos lados.
-E?
-E que a divisória bate na altura da barriga.
-E?
-E que a mulher tava conversando com a menina quando resolveu dar uma olhada em algo na tela de computadora. Pra isso, abaixou e apoiou o abdomen na divisória, levantando os peitos e deixando o decote com a visão completa.
-Excelente! O que você fez?
-Eu fiquei no maior dilema, cara. Porque queria dar aquele conferidão brabo, completo e quase clínico. Afinal de contas, se tão mostrando, eu vou ver.
-É claro!
-Mas, por outro lado, se eu olhasse muito descaradamente, ela ia perceber, ia tirar os peitões e eu não ver mais nada, além de ficar com má fama no trabalho.
-É verdade...
-Era uma questão de olhar muito, curtir o máximo possível e ela rapidamente guardar o show ou olhar pouco, curtir o que desse e ter o show por mais tempo. É foda! Quanto mais eu olhasse, menos eu olharia!
-O que você fez?
-Fiquei tentando olhar o mais discretamente possível com o canto do olho, mas não por muito tempo seguido. Fiz de tudo: cocei o nariz com o ombro, atendi o telefone do outro lado, fingi que lia alguma coisa na minha divisória, fingi que tinha escutado alguém me chamar e o cacete a quatro. Até que cansei e comecei a olhar diretamente sem disfarçar. Ela percebeu, recolheu seus atributos e foi embora. Nunca mais apareceu aqui do lado.
-Boa!

quarta-feira, abril 08, 2009

SHii - O Wii para mulheres

Genial!

Está em espanhol, mas dá pra entender perfeitamente.

terça-feira, março 17, 2009

Fu-Deu

Devo dizer que realmente não me preocupo com a minha idade. Estou com 27, quase chegando aos 28 e quem mais se estressa com a minha aproximação dos 30 é minha metade-cara.

Se ela não tivesse me avisado, nunca perceberia que estou chegando perto dos 30 - achava questava só fazendo 28.

No entanto, uma lida rápida em O Globo Online, na parte mais sensacionalista do jornal - a sessão de Ciência, Saúde e Ecologia [ver mais aqui] mudou minha opinião sobre o assunto.

Se meus posts ficarem piores com o passar do tempo, já tá explicado o porquê.

domingo, março 15, 2009

A música

Um domingo de feijoada com os amigos brasileiros redicados em Bs As.

Nunca havia pensando o quanto era bom aqueles domingo em família em que você passa o dia inteiro comendo, bebendo e batendo papo, até perceber que a segunda-feira está logo ali, após a saidera.

Em homenagem a isso, a tal música que não conseguia lembra de jeito algum.


Eu não vou tomar mais saideira
Segunda-feira
Tenho que ir trabalhar
Estou nessa a semana inteira
Se eu tomar mais um copo
Só mesmo de maca vão me retirar
Agora, você mandou sair
Mais de uma rodada
É derrubada, eu já senti
Essa já é a décima-primeira
Que vem como saideira
E nada da gente sair
Enquanto houver garçom e geladeira
Vem sempre uma saideira
Que não deixa a gente dormir
Mas eu não vou tomar...


Pra minha família porteña.

sábado, março 14, 2009

Eu sabia do que dizia e não sabia

Rapaz, depois de alguns anos, várias experiências e uma mudança de país, acho que algumas conclusões do passado se resolveram finalmente.

Quem diria...

Reafirmando...

Meu problema com a, assim chamada pelos gordinhos recalcados, metadinha advém (nossa, esse advém ficou bunitu!!!) de um risco da satisfação. O produto consumido não satisfez inteiramente o meu desejo no ato compra do mesmo.

Etenda o porquê aqui.

quarta-feira, março 11, 2009

Vida de Solteiro

Na verdade, era pra ser “vida de marido cuja mulher está viajando e ele ficou sozinho em casa pra cuidar de tudo”, mas achei que ia ficar grande demais pra ser um bom título.

Fato é que estou sozinho em casa. É que nem criança: tá tudo desarrumado, durmo tarde assistindo TV, não lavo a louça, não escovo os dentes, não arrumo a cama e só como besteira.

Segunda-feira, cheguei em casa do trabalho com fome e fui abrir a geladeira pra ver o que tinha pra comer. Achei um delicioso cachorro-quente, esquentei e mandei pra dentro feliz da vida.

Não sei se foi por causa da salsicha – que já devia estar na geladeira há umas duas semanas –, do pão – que tinha uns mofadinhos que eu tirei e comi o resto –, ou se foi alguns dos condimentos – eu sempre desconfio da maionese, ainda mais por que estava nos finalmentes do pote.

Fato é que na madrugada desse dia brinquei de ser flor: passei a noite plantado no vaso.

Quem disse que não é dura a vida de humem sem mulher?

segunda-feira, março 09, 2009

TOC – Transtorno Compulsivo do Casal

Às loucuras de uma vida a dois se somam as doideras individuais. Essas maluquices, que se mantém escondidas do outro, mas que escapam de dentro de cada um quando menos se espera. Elas tomam forma através de exigências e maneirismos da rotina do casal.

Domingo, sentamos para almoçar e, enquanto me servia de arroz, ouço um “você não vai ficar fazendo buraco no arroz, não, né?”. Hein? Estava só me servindo. Mas, aparentemente, esta falta grave deveria ser redimida. Após nos servirmos, o arroz foi rearrumado na panela para que ficasse todo por igual, sem buracos.

Mas quem sou eu para falar alguma coisa? Depois de lavar a louça, arrumei os copos todos na secadora de forma que os copos de plástico fizessem uma coluna de cada lado. Depois uma coluna de cada lado com os copos de vidro grandes e, por fim, uma coluna no meio com os copos de vidro pequenos.

Acho que levei mais tempo arrumando essa merda do que lavando. É por isso que eu digo que há uma Thays Pacheca dentro de cada um de nós.

quinta-feira, março 05, 2009

Firme e forte

Apesar de toda a camapnha de difamação que tem aparecido nos meios, todas as mentiras e fofoquinhas maldosas, todas as fotos comprometedoras de carnaval e má-interpretações das fantasias [fui de mulher e não de mulher grávida].

Apesar de tudo isso, o Projeto Menino do Rio 2009 continua firme e forte.

Ontem descobri que perdi 3 quilos desde que comecei o projeto.

Vou ficar moreno, sarado e gostoso!!!!

domingo, março 01, 2009

O que eu quero ser quando crescer

Ou Top 5.

Em algum momento do início do ano, eu assisti ao filme Alta Fidelidade [de novo] e decidi escrever uma lista do meu Top 5 empregos da vida. O critério seria que nem dinheiro, ou conhecimento ou habilidade ou momento temporal ou lugar do mundo seriam impedimento para escolher minha profissão. Ou seja, eu poderia escolher fazer o que eu quisesse, quando eu quisesse, como eu quisesse, com quem eu quisesse e onde eu quisesse.

Acontece que eu tive muita dificuldade pra pensar nisso. Foi difícil mesmo. Por isso, pedi pra vários amigos fazerem as suas listas. Foi uma mistura de ajuda pra minha lista, com curiosidade, com uma pitada de empurrãzinho nas vidas deles.

Assim, segue abaixo a lista de todos os que me ajudaram e, por último, a minha.

CAROL
  • cantora pop famosérrema
  • chef de cozinha
  • professora
  • apresentadora do jornal nacional
  • decoradora de interiores
BRUNO FIUZA:
  • médico cirurgião: sempre me sinto um pouco picareta fazendo trabalho de ciências humanas. afinal, tudo pode ser "mais ou menos", "quase" etc. invejo quem trabalha com mínimas margens de erro.
  • escritor: oh, ainda dá pra chegar lá. esqueça a noção de escritor "alguém que publicou um livro". aqui, me refiro ao cara que pode viver única e exclusivamente disso.
  • soldado: essa é difícil descrever, mas vou tentar. queria saber como funcionava a cabeça de um soldado, ou qualquer patente superior, numa época em que guerra significava espada e mano a mano num campo de batalha. acho que devia ser uma coisa muito louca se expor tanto e ter como única opção matar a sangue frio, na lâmina. ou, pelas circunstâncias, era uma coisa menos assustadora ou então você precisava ter muito colhão. não precisa de uma época ou local específico, basta que tenha esse espírito.
  • baterista de uma banda de rock de fama internacional: preciso entrar em detalhes?
  • cozinheiro, na frança do século XVII, XVIII, ou XIV: porque foi a época em que nasceram grandes clássicos da cozinha. e, além disso, devia ser interessante cozinhar numa época anterior à geladeira.
CIANA LAGO:
  • atriz
  • mãe de 6 filhos
  • cantora
  • maquiadora
  • professora de dança
BRUNO ROEDEL:
  • Chefe de Redação Lance!
  • Roteirista de Cinema em uma indústria cinematográfica desenvolvida
  • Comentarista e/ou Narrador de Eventos Esportivos ao Vivo (Futebol ou Esportes Americanos, principalmente)
  • Dono de uma Assessoria de Imprensa
  • Técnico ou Assistente de um time de futebol grande
ANTÔNIA CANTO:
  • crítica de resorts, spas e hotéis de altíssimo luxo
  • crítica gastronômica
  • fotógrafa (muito bem paga) que viaja o mundo a trabalho
  • atriz de Hollywood
  • surfista de tow in
JUJU LUGÃO:
  • escritora
  • editora de livros
  • filósofa
  • neurocirurgiã
  • psiquiatra
ERIKA:
  • TV Executive de Development da NBC (ou alguma outra rede americana)
  • Jornalista da "Entertainment Weekly"
  • Roteirista de filmes (comédias, provavelmente)
  • Roteirista/produtora executiva de um sitcom/séries de comédia tipo "The Office", "30 Rock", ou até "SNL"
  • Dona/estilista de uma marca feminina jovem tipo "Leeloo", "Cantão", etc
BRUNO CORREIA:
  • zelador de ilha paradisíaca deserta: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL951796-5602,00-ANUNCIO+OFERECE+R+MIL+PARA+VAGA+DE+ZELADOR+DE+ILHA+PARADISIACA.html Prós: boa grana, não tem nada melhor do que combinar o projeto menino do Rio com um trabalho que vai exigir fisicamente e vai te dar um bronze. Contras: isolamento do mundo, perigo de você ser comido por um tubarão enquanto trabalha, necessidade real de saber mergulhar (não é o tipo de conhecimento que você pode mentir no no currículo, como "espanhol fluente" quando na verdade você tem apenas "portunhol instrumental". se exigem saber mergulhar, é provavelmente vai precisar mergulhar).
  • iatista profissional de regatas de volta ao mundo: Prós: viajar o mundo inteiro, contato com a natureza, fazer parte de um trabalho no qual é necessário companheirismo e trabalho físico, boa segurança das embarcações hoje em dia (tanto na construção, quanto na capacidade de se localizar). Contras: comer basicamente peixe por um longo período de tempo, ficar rodeado com um monte de macho por muito tempo, correr atrás de patrocínio, necessidade de competir para justificar o investimento do patrocinador -- por isso iatismo é esporte de rico.
  • baixista ou guitarrista de banda super famosa e rica: Pró: viajar o mundo, beber muito, dormir tarde, nunca se preocupar em pagar contas, baixo é o instrumento mais fácil. Contra: alcançar a fama, entrar em uma banda já famosa, ser um baixista tão ruim a ponto que isso prejudique o som da banda.
  • dono de plantação de maconha: pró: trabalhando na encolha, você pode ter sua plantaçãozinha e ainda faturar uns trocados. há a possibilidade de fazer o dinheiro aumentar facilmente (reaplicando o dinheiro recebido aumentando a produção). Uma das poucas coisas que aprendi na ECO foi que a contravenção é o melhor modo de obter lucro líquido (a prova de que essa idéia está certa é a crise mundial, na qual o segundo modo mais fácil de conseguir lucro líquido se provou um grande saco sem fundo, uma pirâmide gigantesca. no caso do investimento em drogas, entretanto, você está desde cedo ciente dos riscos, afinal, é uma atividade contraventora). Contra: é fora da lei, traz dilemas morais.
  • produtor de web cerca 1997: você não precisava ser bom para ganhar milhões. era ter uma idéia mais ou menos (quantos sites estúpidos não renderam milhões na época?). era só sair do mercado na hora certa (pré estouro da bolha), sacar a grana (dinheiro, não crédito ou ações de outras pontocom) e se aposentar (o dinheiro ganho nessa empreitada poderia ser aplicado para os trabalhos 2, 3 e 4).
PEDRO ROCHA:
  • Surfista Profissional. passar a vida me divertindo com algo que eu curto o suficiente para fazer o ano inteiro sem parar. Poder passar a vida eternamente no verão, viajando ao redor do mundo “em busca da onde perfeita”. Ter a simplicidade de acreditar que a única coisa que eu preciso na vida é uma boa série na praia - tudo o resto é apenas detalhe.
  • Escritor Existencialista do início do século XX. passar a vida viajando pelo mundo, questionando, analisando, compreendendo o mundo, as cidades, as pessoas, as culturas. Colocar todas as idéias em um caderninho sem pauta; quando desse na telha escrever um conto, escrever; quando desse na telha desenhar uma imagem, desenhar; quando desse na telha resumir toda a existência de um povoado em uma frase, duas linhas bastariam.
  • Carpinteiro. Passar a vida criando e montando móveis, desenhando as peças na cabeça, lichando o suficiente pra peça encaixar perfeitamente no seu devido lugar. É criar algo elaborado a partir de coisas bem simples. É o ato da criação em seu lado mais simples.
  • Professor. Passar o que sei pra alguém. Tudo o que sei. Qualquer coisa. Seguir adiante e fazer parte do conhecimento.
  • Não sei. Acho que ainda não descobri o que mais gostaria de fazer da vida profissionalmente. Mas gosto do rumo que minha vida está tomando agora e espero que conitnue feliz com as minhas escolhas, quer elas me levem pra alguma das opções acima ou não.

E você? Qual seria o seu top 5 empregos da vida?

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Uma noite de cines

Ontem à noite fomos assistir a dois filmes seguidos no cinema. Muito bom!

“Slumdog Millonaire” é foda. Mereceu o Oscar. Filme que apresenta a típica história de amor, com todas as suas complicações e clichês. No entanto, apresenta um toque pop na música, sensível na ambientação e carismática nas atuações.

Os atores são incríveis. Fora a menina quando mais nova, que é meio sumida, todas as outras crianças são fenomenais. Você “compra” os personagens facilmente. Os atores adultos também são muito bons. O principal é perfeito. Dá pena e você torce pra ele, ao mesmo tempo em que percebe que ele não é tão coitadinho quanto parece. E a menina é linda.

O diretor ambientou na Índia sem cair nos clichês e complexos de culpa e crítica dos países desenvolvidos. Dá uma leve sacaneada nos americanos. E a música, ganhadora do Oscar, é muito irada! Fiquei com ela na cabeça por horas! Vou baixar!

O pessoal do cinema, inclusive, ficou até o final dos créditos pra ouvir a música toda e assistir à apresentação de dança dos personagens no melhor estilo “Rivaldo sai desse lago”. Batemos palmas ao final – ele mereceu.


“Milk” é legal. O tema é mais forte, mais pesado e o filme tem um tratamento de assunto sério. Os atores, em geral, estão muito bem. Mas Sean Penn rouba a cena. O filme é ele. A história pode ser interessante, a direção e roteiro bem fechadinhos e tudo o mais. Mas que faz o filme é ele, Sean Espancoamadonnapraelaaprenderqueeusoumachopracaraleo Penn.

Atua como um homossexual com todos os trejeitos e clichês, mas sem ser uma caricatura. Não é um esteriótipo, é um personagem humano, carismático, alguém que você gosta de conhecer e saber da sua vida. Palmas para Sean.

sábado, fevereiro 14, 2009

Quando Chaves encontrou os Cavaleiros que dizem NÍ!

Em matéria publicada no G1 sobre o referendo na Venezuela, encontrei uma chamada, no mínimo, inusitada.

Não contente com todas as potenciais piadas associando o Fanfarrão Bolivariano ao personagem colorado, agora o site acaba com a seriedade do seu referendo pela emenda constitucional.



Para quem é fã de Monty Python e já assistiu ao “Em Busca do Cálice Sagrado”, a piada tá pronta. Pra quem não conhece, abaixo um clip com a cena relevante do filme.


quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Grosseria

Não sei se alguém lembra, mas havia no Cartoon Network um desenho animado chamado “A Vaca e o Frango”. Era uma vaca e um frango que eram irmãos e seus pais só existiam da coxa pra baixo, Era completamente non sense e incrivelmente genial.

Em um dos episódios, teve uma das cenas mais grosseiras que eu já vi na televisão em toda a minha vida. A Vaca começou a ganhar dinheiro extra trabalhando numa fábrica de leite. O Frango ficou com ciúmes e resolve trabalhar lá também. Chega pro encarregado da fábrica e diz que quer trabalhar. O cara fala que tem, primeiro, que provar a qualidade do seu leite. O Frango então, entra no banheiro, fica um tempo, e sai com um copo de leite!!!

Enfim...

Outro dia eu estava assistindo ao Gourmet Channel [sim, há um canal aqui de receitas 24 horas por dia – e é muito foda!] e começou um programa da Narda. A Narda é uma mulher muito gente fina que faz umas comidas gostosinhas e fáceis, sem aquelas prosopopéias todas dos chefs metidos a besta.

Ela estava fazendo um programa especial de culinária brasileira e, por isso, estava na Cobal do Humaitá, no Rio, entrevistando o pessoal para saber como comprar os melhores ingredientes.

Em determinado momento, conversando com um cara, ela diz que precisa comprar leite de boi. O cara corrige e diz que é leite de vaca. Ela, toda crente do seu português porteño, reintera que é leite de boi. Leite de vaca. Leite de boi. Leite de vaca.

Aí, puta por estar sendo corrigida no seu programa, vai e pergunta o por quê disso. O cara, se escangalhando de rir, explica que “leite de boi, é outra coisa”.

Acho que barrou a Vaca e o Frango.

A universalidade da babaquice

- Mãe, como foi a assembléia da sua saída?
- Foi um show de babaquice.
- “Show de babaquice”?
- É, show de babaquice.
- Por quê?
- Porque a babaquice é universal. Você sabe disso.

domingo, fevereiro 08, 2009

Fomos ao cinema hoje

Estávamos sentados, esperando o filme começar quando sentou um casal do lado da Carol. A mulher não parava de falar, mas até aí tudo bem, já que o filme ainda não tinha começado.

Os trailers começaram a passar e a mulher continuou falando. Aquela vozinha chata de Argentina afetada, paty, macérrima que se acha a gostosona mas não tem bunda pra apoiar seu achismo. Mas até aí tudo bem, o filme ainda não tinha começado.

O filme começou e ela continuou falando. Patati, patatá. Aquela porra não calava. Bom, vamos esperar pra ver se ela se manca, afinal de contas, o filme tinha acabado de começar.

Dois minutos depois, a mulher não parava de falar. A Carol levantou, levou a mão lá atrás e mandou-lhe um tapa no meio da fuça. Daqueles que estala bonito na bochecha [bem no estilo da amiga Liciane]. Quando eu olhei, a cara da mulher tava completamente vermelha, só cinco traços brancos cortavam aquela vermelhidão marcando o local onde os dedos da Carol encontraram seu destino.

O tapa ecoou no cinema e todo mundo virou pra olhar. A mulher ficou sem palavras. O cara que tava com ela parecia que tinha visto um alien de tão assustado que ficou. A Carol sentou-se calmamente e continuou assistindo ao filme, afinal de contas, ele já tinha começado.

O que eu fiz? Não tinha outra coisa que eu pudesse fazer. Levantei, olhei pra cara da mulher mala, apontei o indicador direto na sua cara e mandei um “iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”! Sentei e assisti o filme. Afinal de contas, ele já tinha começado.






P.S.: Nada disso aconteceu de verdade. A mulher ficou realmente falando, mas parou quando o filme começou. Mas que merecia levar uma tapa na cara, ah, isso merecia!

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Rearrumando a casa

Eu e carol resolvemos rearrumar a casa. Montamos nosso escritorinho, penduramos uns quadros, demos um jeitinho nas coisas.

Abaixo o vídeo que fizemos mostrando a nova arrumação pros amigos brasileiros que moram por aqui.


Tem coisas que não mudam na gente...

"Como pode ser então que eles na minha idade já são adultos e eu ainda sou criança? E pior: como pode ninguém perceber que eu sou apenas uma criança, brincando de ser adulto, com roupas de gente grande que não são minhas, fazendo cara de muito ocupado enquanto escrevo um post ou leio meus ê-malas?"
De 03 de setembro de 2004

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Perdidos na translação

Viver em outro país em que se fala uma língua que você ainda não domina é um desafio diário de compreensão e paciência.

Você usa todas aquelas dicas que a professora do cursinho falava e você achava a maior besteira. Se não sabe a palavra, descreva o que você quer. Simplifique suas frases. Pense antes de falar.

Era um saco no cursinho, mas realmente funciona no mundo real.

O problema maior é quando alguém fala alguma coisa pra você que não dá pra entender. Em geral, você acaba pegando o significado geral do que está sendo dito, mas, às vezes, você acaba preso em alguma expressão ou gíria que fode tudo.

Aí tem que perguntar mesmo. Ou bancar o sabichão e balançar a cabeça positivamente, mesmo não tendo entendido porra nenhuma.

“- Você gostaria de peras ou maçãs?”
“- Sim.”

Enfim, essas coisas acontecem. A boa é avisar logo que você é estrangeiro e que não fala tão bem a língua dos outros. E ignore os elogios “Ah, mas você fala tão bem!”. Pode falar maravilhosamente bem, mas tem sempre alguma armadilha no caminho pra te derrubar.

Afinal de contas, como diria minha mãe, “não tenta dar um de malandro que vai tropeçar nas próprias pernas”.

Assim sendo, assim que cheguei aqui – todo crente que sabia tudo de espanhol –, fui tentar fazer amizade com a zeladora do prédio onde moramos. Me apresentei, ela se apresentou e conversamos alguma amenidades.

Em determinado momento, ela vai e me pergunta de onde sou. Eu vou e respondo que sou brasileiro, no que ela responde “ué, mas o seu tom não parece de brasileiro...”

Malandro que sou, vou e penso comigo “esse pessoal das argentinas acham que todo brasileiro é moreno de praia? Bom, essa é a hora de fazer uma piadinha e causar uma boa impressão”. Aí vou e mando um “eu posso ser branco assim porque faz tempo que não vou à praia, mas sou brasileiro sim.”

Aí ela vai e responde “Não, eu só quis dizer que seu sotaque não parece de brasileiro...”.

Ah tah...

Tropecei.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

História verdadeira

Um japonês maluco criou o presente de dia dos namorados perfeito: um chocolate no formato da África com diamantes dentro.

Isso mesmo, têm pequenos diamantes dentro dos chocolates.

Seria um ultimate dois-em-um se não fosse por um pequeno problema.

Ao dar o presente para sua namorada a título de teste, a mulher do japonês acabou com o diamante num anel diferente do que esperava o inventor depois que ela engoliu o brilhante.

No estilo da capa do disco do Tom Zé, acima.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Sobre profiteroles e salsichas

Não é preciso viver em um país que não fala a sua língua para rolar os habituais lost in translations.

Quando ainda estávamos no Rio, havia um programa no Multishow, se não me engano, cujo nome era “Profiles”. Toda semana tinha algum famoso no programa: “Profiles – Jack Nicholson”, “Profiles – Maria Bethânea”, e por aí vai.

Acontece que, sempre que eu passava de canal e aparecia o nome do programa na barra de programação da NET, eu só conseguia ler PROFITEROLES. Não tinha como eu ler outra coisa.

Toda vez.

Eu já sabia que não tinha um programa sobre profiteroles no Multishow, mas eu sempre voltava pro canal quando passava por ele, interessado numa programação diferenciada: um estilo de profiteroles do fulano de tal.

Fala sério, se você estivesse passando de canal e visse um programa sobre uma comida ao estilo Angelina Jolie [ou Brad Pitt, dependendo do que você curte], você não pararia pra assistir?

Já em terras porteñas, a Carol tem o seu momento de dislexia crônica. Assistindo ao último episódio de America’s Next Top Model, que terminou ontem e que ela assistiu desde o primeiro capítulo, ela foi e comentou comigo quem ela acha que iria ganhar.

“Tenho certeza de que será a SALSICHA, ela é muito boa!” Epa! Salsicha? O nome da menina era Saleisha e não tinha como ela ler ou falar que não saísse salsicha.

Não é à toa que estamos juntos a tanto tempo...

Como conquistar um nerd

Mais aqui.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Os nerds dominarão o mundo!

A reportagem está em espanhol, mas dá pra entender perfeitamente o que cada coisa faz.

Trata-se de uma série de novidades tecnológicas inventadas por nerds, para nerds.

Não preciso dizer que meu lado nerd ficou super animado de comprar várias dessas coisas. E assistir compulsivamente a The Big Bang Theory não tem ajudado muito.

Somado à herança do meu pai, que entra nessas lojas chinesas de 1,99 e compra um artigo de tudo - tem até um pente para bigodes! -, meu destino está quase selado.

Minha sorte é que a grana é curta, o acesso a esses produtos é complicado e a Carol me controla.

Mas o que mais me chamou a atenção é em relação à primeira foto, da cartucheira de nerdices: nego realmente escolheu um modelo pra foto que se adequava ao público-alvo. Reparem na barriguinha da criança.

Me identifiquei na hora!

Com sorriso no rosto

Morro, mas morro feliz!

Entenda

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Oh dia, Oh céus, Oh azar!

Você sabe que o dia está complicado quando...

  • você levanta, toma café-da-manhã, vai pro trabalho, trabalha, sai pra almoçar e volta do almoço mais ainda não acordou;
  • seu corpo tá tão dolorido que sentar a amnhã inteira com uma postura ruim na verdade ajuda a doer menos as costas;
  • você liga pra alguém pra bater um papom as a ligação cai assim que você fala “alô”;
  • você tá atravessando a rua e toma uma pombada na cabeça. E não é a primeira vez na sua vida que isso acontece.

Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz

Ou aquela aula freak na academia.

Ontem fiz minha primeira aula advanced na academia. Quase morri.

Se chama Body Combat e é uma mistura de aeróbica com socos e chutes, coreografias elaboradas ao som de uma música das mais frenéticas que eu já ouvi na vida.

A aula, além de ser muito puxada, ainda exigia que a pessoa decorasse rapidamente pequenas coreografias de chutes, socos e rodadinhas e encaixasse ao ritmo da música frenética.

A professora era uma desvairada que fazia as coreografias conforme a música ia tocando e se sentia a própria Chun-Li, fazendo barulhos com a boca ao dar os golpes e gritando ao dar uns ganchos pra cima. Só faltou soltar um tchek-tchek-tchuruguen e sair voando da sala.

A música era uma dessas músicas comuns de aeróbica, só que num ritmo cinco vezes mais rápido e com sonzinhos de socos e chutes para encaixar a coreografia e o aluno se sentir em meio a uma luta de verdade. Hã?

Como eu não tenho físico, noção de ritmo ou senso de ridículo, fiquei fazendo tudo errado, quase acertando os amiguinhos em volta e fazendo a professora ficar rindo de mim.

Aí aproveitei e ri de mim também. Um monte.

Qaundo não tinha mais forças para nada, resolvi dar um foda-se pra aula e ficar boiando na piscina.

Vida de atleta não é mole. Nem minha cama pareceu mole depois de ficar completamente moído pela aula freak da professora louca.

Virou TDuD, essa porra?

Depois de salvar sua mais nova fã de um quase afogamento, Amy decidiu mudar os rumos da sua carreira.

A mulher, que tinha caído de seu barco por motivos ainda não divulgados [cachaça], foi salva pela diva enquanto disfrutava de umas merecidas férias [clínica de desintoxicação] no Caribe.

Assustada ao perceber o quanto a vida é frágil e pode acabar a qualquer momento, a musa do jazz refletiu um pouco sobre sua própria vida, [cheirou] sua carreira e decidiu mudar de ares.

Agora, Amy Winehouse vai lançar seu novo single: um cover do sucesso de Luiz Caldas “Nega do Cabelo Duro”.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Um exemplo a ser seguido



Se ele pode, eu também posso.

10 considerações sobre visitas e visitantes

1) Se você compra um “quero fazer coco na casa do Pedrinho”, as pessoas vêm fazer coco na casa do Pedrinho [se eu fosse o Kevin Costner, teria ouvido um “se você comprar, eles virão”];

2) Seis pessoas e um banheiro é uma conta cujo resultado é impossível;

3) Todo mundo gosta de sucrilhos [ou zucaritas] e ele sempre acaba às 8h30 da manhã;

4) Nós conseguimos deixar TODO MUNDO que veio à nossa casa impressionado negativamente por não ter ido a algum lugar imperdível de Buenos Aires ainda [detalhe: nenhuma das pessoas repetiu o lugar que a pessoa anterior falou];

5) Nós ainda não descobrimos uma incrível casa de tango, um incrível restaurante maravilhoso e barato, nós ainda não fizemos amizades de toda uma vida com um monte de argentinos e ainda não aparecemos na televisão dando um show de tango [ou sambando, depende da pessoa];

6) Todas as visitas ficaram impressionadas com a cidade e com o bairro e acharam que trocamos muito bem, todos os argentinos acham que somos uns boludos burros pra caralho e que nunca devíamos ter largado a nossa vida de passar o dia inteiro na praia pra vir pra cá;

7) Nenhum argentino jamais sacou que eu sou branquelo não é à toa;

8) Não, não passa Jornal Nacional, Novela das Oito, Globo Esporte ou Luciano Huck por aqui. Só Silvio Santos;

9) Pode parecer impressionante, mas a Argentina É um país completamente diferente do Brasil e os argentinos SÃO completamente diferentes dos brasileiros;

10) Eu AINDA não decorei o guia de ruas de Buenos Aires, então não adianta me perguntar onde fica a a Calle Ziguezague Chuchu.














*- É brincadeira o negócio sobre o Silvio Santos. O Gugu é muuuuuuuuuito mais popular que ele.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Smells Like Teen Spirit




Nosso presidente-fanfarrão em seu momento mais pop then ever!!!
Genial!

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Diário de um projeto

Após uma parada emergencial em dezembro devido a uma lesão, o Projeto Menino do Rio 2009 volta com força total em janeiro.

Segue abaixo um vídeo que a carol fez do meu esforço para alcançar a perfeição física ; e psicológica, é claro.

Porque mens sana, corpus sano.


segunda-feira, janeiro 12, 2009

Coisas aprendidas no novo ambiente de trabalho – O Banheiro

Fato nº1: Eles sabem que as pessoas ficam lendo na privada, então resolveram que esta parte do banheiro não será iluminada.

Fato nº2: A porta do reservado não tem como ser trancada; ou seja, o faxineiro vai abrir a portinha bem no seu momento de flor [no vaso].

Fato nº3: Graças a Deus pelos deficientes físicos! Não que eu torça para as pessoas terem problemas físicos, mas graças a eles, há um reservado especial, mais espaçoso, com iluminação e que dá pra trancar ; e que eu descobri que é o mais dispotado do banheiro [I wonder why].

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Ainda sobre o lado negro da Força

Segunda-feira, 21h17
ou, no meio da janta

-¿Hola?
-Hola. Poderia falar com a Fulana de Tal?
-Quem?
-Fulana de Tal.
-Não é aqui.
-Ah tah... Perdão.
-Não... [e desliga o telefone]

segunda-feira, dezembro 29, 2008

O lado negro da força

Não dá pra dizer que eu seja uma pessoa má, embora definitivamente uma pessoa escrota. Mas, volta e meia, bate aquela vontade de fazer maldade a torto e a direito.

Essa vontade pode ser despertada por alguma pessoa específica ou por um momento na vida.

São totalmente compreensíveis aqueles dias em que se odeia a humanidade. Ninguém presta. Todo mundo é inútil e merecia uma morte horrível e agonizante. Esse é o momento em que se é capaz de tudo pra fuder com os outros.

Gatos, não passem na minha frente; velhinhas, não venham pedir pra sentar no metrô; esse é o dia em que como feijão – só de sacanagem.

E quando é totalmente direcionado para alguém também não é nada agradável – pra essa pessoa, é claro. Porque pra mim, é a glória.

Eu volto a carregar o programa “irmão mais velho escroto” e faço de tudo para sacanear o infeliz que cruzou meu caminho. É um ataque soviético que só tem fim com a rendição do inimigo ou a Carol brigando comigo.

No entanto, além destes dias, há momentos na vida em que percebo o lado negro da força crescendo dentro de mim.

Hoje, estava andando na rua quando cruzei com um casal. Eles tinham uma criança num carrinho de bebê e o moleque estava dormindo tão pesadamente que chegava a estar com o pescoço torto 90º pro lado. Tive que refrear, com toda a minha força de vontade, meu ímpeto de dar um berro do nada para assustar a criança e fazê-la abrir o berreiro.

Não fiz. Mas fiquei bem imaginando a cena. Eu passando do lado do casal e inadvertidamente dando um gritão bizarro. Eles dando um pulo assustado pro lado. As compras caindo das mãos dele, ela quase virando o carrinho de bebê. A criança – daquelas com as bochechas rosadinhas, cabelos loiro-claro, enroladinhos e macios – abrindo um olhão azul espantado e, logo em seguida, abrindo um berreiro sem fim.

Hummm! A felicidade definitivamente está nos detalhes da vida.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Tá escorregando...

Por mais que eu reclame do Google e não deva nada a ninguém, devo admitir que há certos momentos em que eu dou uma escorregada e deixo meu lado, digamos, “sensível” aflorar.

Outro dia, estava em casa lavando louça, quando passou um comercial na TV que tinha aquela música “Dancing Queen”. De repente, me pego cantarolando a música e, pior, dando uma dançadinha estilo “Ou Tudo Ou Nada”. Ridículo!

Aí, estou na rua e passa por mim uma mulher com uns peitos enormes. Eu viro e comento com a patroa “que feios, né?”. O pior é que não estava fazendo média! Eu realmente achei feios. A mulher macérrima, com duas melancias penduradas, completamente desproporcional e duros. Feio que só.

A gota d’água foi no trabalho. Estava assistindo a um programa chamado “Fashion Classics” para revisar a legenda. Aí começou a aparecer todo aquele pessoal da moda internacional: Valentino, Cindy Crawford, Michael Korrs etc. Já sacou? Eu sabia quem era todo mundo!!!

Porra! A partir de agora, só assisto a futebol e só falo de mulher pelada nesse blog!




*- A dançadinha ridícula


Competição cabeluda

Descobri aqui perto de casa um lugar só de depilação que tem vários troféus na vitrine. Fiquei pensando com os meus botões “Que troféus são esses? De onde saiu tanto troféu?”.

Meu primeiro pensamento é que o lugar tinha comprado todos e exposto pra enganar possíveis clientes e dar uma de super premiado.

Mas depois considerei essa uma idéia meio boba. Afinal, quem se daria ao trabalho de premiar depilação? Quem daria um prêmio de depilação? Quem sabe o nome da premiação dos depiladores?

Até onde eu sabia, só existia dois tipos de depilação: a que saem todos os pelos e a que não saem todos os pelos. Não há meio-termo nesta questão.

Mas aí, logicamente, a imaginação já tinha rolado solta e só conseguia pensar no que seria uma premiação de depiladores.

Surreal.

Será que tem categorias, tipo “melhor perna até o joelho”, “melhor perna inteira”, “melhor buço”, “melhor buça” etc? Tem que ter!

E será que ficam várias mulheres [ou homens, sei lá] posando com sua parte competidora à mostra, uma ao lado da outra? Imagina um monte de mulher posando para a categoria “biquíni cavado”. E o pior! Imagina os juízes desta categoria avaliando o trabalho: “Abaixe mais, por favor. Abre. Lado direito. O outro lado. Obrigado”. E os comentaristas: “A região peri-anal ficou desleixada nessa menina... Que pena.”.

Esse é um reality show que eu assistiria “America’s Next Brazilian Wax”!

Problemas no trabalho

Sim, é isso mesmo. No meu terceiro dia no trabalho, já estou com problemas.

Que foi? Acontece com os melhores profissionais, tá?

Enfim, lá estou eu, feliz e serelepe no trabalho quando começo a conhecer as pessoas. Essa é fulana, essa é cicrana, essa beltrana [sim, tem muito mais mulher que homens] e esse é o chefe, Roberto.

Sim, Roberto.

Por que isso é um problema? Bom, aqui nas Argentinas os apelidos das pessoas são, sem exceção, as primeiras sílabas de cada nome. Estefánia é Esté, Romina é Romi, Carol é Caro etc.

Qual é o problema de Roberto? Bom, o problema é que Roberto aceita duas opções: a primeira é Róber.

A segunda é Ror. Sim, tipo “RRRRR”.

Cara, é foda! Não dá pra ficar ronronando cada vez que chama pelo seu chefe. Pô, eu não consigo.

E todo mundo só chama ele de Ror. Não dá. Até agora eu finjo que não percebi e só chamo de Róber. Muito mais seguro.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Me passa a farofa?

Está chegando o verão e as cervejarias argentinas começam a mostrar suas campanhas para fazer todo mundo ficar bêbado durante os três únicos meses do ano em que faz algum calor nesta terra.

Assim sendo, a InBev lançou um comercial muito intiriçanti para levar os argentinos a comprar muita Quilmes nas praias. Só que o comercial é pra lá de farofeiro! Vendo esse comercial, fiquei até com vergonha de pedir Quilmes no bar de tão farofeiro que é.

Por isso, resolvi fazer a versão brasileira do anúncio. Se você quiser assistir ao original, veja aqui.





P.S.: Destaque para a mulher cabeceando a bola. O que é aquilo???

E o Bruno Diaz?

Aliás, essa história de mudar nome de personagem do original para uma versão latina não acontece só com o Homero, não. Outro dia, eu estava felizão assistindo a uma sessão dupla de Batman na Warner [Batman, o filme e Batman, o retorno] quando me deparo com o senhor Bruno Diaz. Quem é o Bruno Diaz? É o hombre-morciélago em pessoa!

Agora, de onde eles tiraram Bruno Diaz de Bruce Wayne eu não faço idéia...

A Revolución Homero

Todo país possui os ícones que formam a identidade dele. São personagens, reais ou imaginárias, que personificam o que é ser daquele país. Na Argentina também é assim.

Se você vier a Buenos Aires, provavelmente passará pelo Caminito, um superestimado favela-bairro que consiste de duas ruas cheias de lojas de lembrancinhas, restaurantes com dançarinos de tango te servindo e sósias do Maradona.

Neste lugar, é possível perceber em tudo o que é vendido que há uma preponderância de quatro personalidades que são a essência Argentina. Estão em todas as camisetas, bolsas, imãs de geladeira e pôsteres.

São eles: Maradona, Evita, Mafalda e Homero. Quem é Homero? É o Homer Simpson. Sim, aqui por essas bandas os Simpsons são um sucesso absurdo e o Homer(o) é rei.

Se houvesse uma arrumação dessas personalidades por ordem de importância, da maior pra menor, ficaria assim: Maradona, Homero, Evita e Mafalda. Sim, Homero só perde pro Maradona [difícil competir com a “mão de Deus”] e fica à frente da Evita [foi mal Madonna].

Isso é muito engraçado, porque no Brasil Simpsons também faz um certo sucesso [não tanto quanto aqui, mas tem seus fãs]. Só que o personagem do desenho que é mais admirado e reproduzido é o Bart, o filho fazmerdinhadaestrela. Não sei se por sua característica de malandro e que sempre tenta se dar bem ou se simplesmente por efetivamente só fazer merda, é ele quem tem um maior apelo ao público brasileiro.

O que isso diz do argentino então? O que faz do Homero um personagem tão querido e admirado, aquele com que todo argentino se identifica? Seria sua burrice? Sua barriga de cerveja? Sua incompetência? Sua capacidade de se dar mal o tempo todo? Todas as anteriores?

Quem sabe? Fato é que vou comprar minha camisa da “Revolución Homero” [uma em que ele aparece estilizado como se fosse o Che] e me misturar na multidão.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

A vida

Passar o final de semana bebendo cerveja e comendo besteria faz a vida ser muito mais interessante na segunda-feira.

sábado, dezembro 13, 2008

¡Bienvenido!

No meu primeiro dia de Argentina eu estava muito animado. Acordei tarde e fui dar uma passeada pelas redondezas para conhecer um pouco o quarteirão. Tudo muito lindo, umas árvores bem cuidadas, parques de três em três quadras, um monte de cachorro simpático e pessoas bem vestidas devido ao frio.

Tudo muito bom e agradável, uma excelente primeira experiência porteña. Aproveitando o passeio, entrei numa loja que dizia estar liquidando o estoque porque ia fechar. Aí pensei com os meus botões “tá frio como o diabo e eu não tenho muita roupa pra suportar. Melhor aproveitar a promoção e comprar logo umas roupas legais pra aturar a friaca, certo biscoito?”

Entrei na loja e o vendedor não percebeu. Comecei a mexer nos cabides e acabei fazendo algum barulho. Ele, que estava sentado num canto da loja, olhando pra baixo enquanto lia um livro, notou minha presença. Levantou a cabeça do que lia, olhou pra mim com uma cara que misturava um profundo desprezo e uma irritação por quem atrapalhou o que fazia. Me olhou, não falou nada e simplesmente voltou-se para a interessante leitura.

Meio espantado e um pouco nervoso pelo comportamento de repulsa do vendedor, não entendi o que estava acontecendo. No Brasil, os vendedores pulam em cima de você assim que você passa o olho na vitrine da loja e fazem de tudo pra você comprar qualquer coisa. Como aquele cara que queria acabar com o estoque pra não sair muito no preju ao fechar a loja tinha simplesmente cagado pra mim?

Aí a realidade bateu de frente em mim e percebi que diferenças culturais são assim mesmo: você tem que aceitar e seguir adiante. Instantes depois de baixar os olhos de volta ao livro, ele levantou sua nádega esquerda, soltou um sonoro e cheiroso peido, baixou a nádega esquerda e continuou a leitura.

O que eu fiz? Aceitei, saí da loja e segui adiante. A vida ensina cada coisa...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Plágio

Os argentinos leram meu blog e encontraram o conceito para seu esportista ideal: o baixo-pança.

Já havia algumas campanhas de marcas ligadas ao esporte que indicavam esse caminho a seguir. Um exemplo é a campanha da Gatorade: “Funciona para los futbolistas que trabajan de otra cosa”.





Genial! É o baixo-pança surgindo.

Mas ainda não tinham chegado à perfeição do conceito que a nova propaganda da Adidas alcançou. Ele é o baixo-pança em sua totalidade, sua potencialidade levada ao máximo.

Assistam e deleitem-se:



Vou cobrar direitos autorais.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

¿Qué?

O que aconteceu nestes quase três meses de vida porteña? Não muito.

Achei que sabia espanhol e que conseguiria um emprego fácil. Achei que as visitas só trariam felicidades. Achei a cidade linda e meu bairro mais ainda. Achei novos amigos. Achei decepções comigo mesmo. Achei [um pouco] de depressão. Achei companheirismo. Achei um curso muito bom. Achei as ruas. Achei as casas. Achei o Rio, de novo. Achei meu trabalho anterior me falando como eu mandava bem – e como eu mandei bem de me mandar de lá. Achei confiança renovada. Achei o tango. Achei as pessoas. Achei a conversa despretensiosa de bairro. Achei o Gilberto Gil. Achei a Madonna [e escapei dela]. Achei Perón. Achei os parques. Achei as feiras de rua. Achei meu espanhol. Achei a corrida. Achei o Projeto Menino do Rio 2009 – Missão Buenos Aires. Achei meu blog. Achei meu outro blog. Achei meu bloquinho de pensamentos. Achei minhas pesquisas. Achei meus projetos. Achei um trabalho. Achei minha [nova] vida.

E você, o que achou?

terça-feira, dezembro 09, 2008

Há pouco tempo atrás

Às vezes você para e tudo à sua volta para junto. Ficamos todos neste momento entre momentos, em suspenso.

Nessa hora, você lembra da frase “Deus ajuda aos bons de coração” e entra em paranóia.

Você é bom de coração?

Você crê em Deus?

Ele crê em você?

E quando a paralisia parece subir pela sua coluna deixando seu corpo pouco a pouco paraplégico e depois tetraplégico e, por fim, vegetativo, seu cérebro – a última parte de você funcionando – vira para você e fala “sai dessa”.

E você o faz.

Então sai do momento entre momentos e volta pra vida.

“Life is what happens to you while you’re busy making other plans.”
[John Lennon]

sábado, dezembro 06, 2008

O Google acha que sou baitola

Muito recentemente, coisa de há 5 dias, eu liberei o Google Adds no meu blog. Não porque creia que vou ganhar muito dinheiro com isso. Acho que nem eles crêem que vão conseguir alguma coisa no meu blog, só fizerem por peninha.

Fiz porque queria ver do que se tratava na íntegra e no que ia dar. Enfim, sem trabalhar fico entediado.

Fato é que, desde então, tenho reparado nos anúncios que entram no meu blog. Eu sei que eles são aleatórios de acordo com o tema das postagens, para que seja uma “mídia integrada ao conteúdo” [onde já ouvi isso antes?].

Mas os anúncios que têm aparecido no meu blog têm me deixado um pouco irritado e um tanto quanto inseguro em relação à minha masculinidade. Das cinco chamadas, há sempre três com o tema “homens” [homens de cueca, homens peludos e homens gostosos] e dois extremamente entregadores [fachadas de casas e roupas].

Porra Google, coe! Sou macho, cacete!!! Leva estes “homens peludos” pra outro blog aí e traz umas coisas maneiras pro meu!!!

Vacilo...

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Definição do dia: Cola-Brinco

No vídeo a seguir, a amiguinha Liciane mostra o que é um verdadeiro e bem dado Cola-Brinco.



Obs.: Não tentem reproduzir em casa. Profissionais altamente treinados foram utilizados para realizar este demonstração.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O Complô Rocky 3

Desde que nos mudamos para BAires, as diferenças de vida são o que mais nos chama atenção no dia-a-dia cotidiano de todo dia diário.

Uma das coisas que mais no chamou a atenção positivamente é o fato de que aqui é comum não ter lavadora de roupa em casa – todos usam uma lavanderia da sua rua.

É lindo! Você separa suas roupas em casa de acordo com a cor, liga pro seu moço e ele vem buscar. No dia seguinte, a roupa volta limpa! Não só limpa, como macia, cheirosa, quentinha e semi-passada.

Sim, porque depois de secar, eles dobram, então a roupa vem praticamente passada! Coisa lindja de Deus. E nem é caro!

Mas, como tudo nas Argentinas, tem seus prós e seus contras.

Recentemente, me bateu uma certa melancolia originada na parte de baixo da minha barriga. Ela tem aparecido demais por baixo das camisas. Fiquei meio bolado de ter engordado por essas terras onde só se come massas e carne com batatas. Mas nem, emagreci 4 quilos desde que saí do Rio [valeu Erika por notar!!!].

O motivo do meu baixo-pança estar aparecendo tinha que ser outro. Descobri, então, que a maior parte das minhas camisas encolheu desde que vim para em terras porteñas.

Aí tudo fez sentido. Como todos já sabem e eu já cansei de escrever por aqui, as Argentinas vive em plena década de 80. Da música à moda, da economia maluca aos bancos sem Internet banking, da falta de moedas pra pegar ônibus ao metrô sem ar-condicionado, das merdas de cachorro espalhadas pelas calçadas ao penteado maluco das mulheres [sim, é tudo uma merda]. É toda uma sociedade que consume e produz a década de 80 como modelo de vida.

Assim, as lavanderias dão sua contribuição para manter este status quo retardatário voltando com a moda Rocky 3 de baby look para homens.

Assim, eu – com o Projeto Menino do Rio 2009, Missão Buenos Aires a pleno vapor –, não poderia deixar de adotar a moda pança séczi e andar de cabeça erguida e barriga arriada pelas ruas desta cidade que nos recebeu de braços abertos em seu seio.



segunda-feira, dezembro 01, 2008

A incrível confiança da merda por acontecer

Quando eu era mais moleque [e 30 quilos menor], eu costumava ir muito à praia. Vivia lá com uns amigos.

Não gostava muito de ficar só de sunga – achava, e ainda acho, que é muita exposição das mixarias das pessoas. Então sempre colocava uma bermuda de surfista por cima.

Bom, uma vez lá estava eu na praia, recém-chegado e feliz de estar ali. Eu me senti o rei da praia, como se não houvesse outro lugar no mundo onde pudesse estar naquele momento.

Como tinha um dinheiro no bolso, resolvi ficar só de sunga pra cair na água. Com toda a certeza no mundo do que estava fazendo fui e baixei a bermuda de uma vez. Dobrei direitinho e coloquei sobre o chinelo pra não sujar muito de areia.

É engraçado como, quando você está prestes a cometer uma besteira, você não pensa nem por meio segundo que poderia dar errado. Você está totalmente confiante de si, crente que você é tão bom que nada pode dar errado no mundo.

Enchi o peito de ar, abri os braços e pensei comigo “a vida é boa! A praia é minha, meus amigos estão todos aqui e o sol está perfeito. Não há nada no mundo melhor que isso!”

Então percebi que havia muito frescor nas mixarias. Olho pra baixo e lá está meu cuecão Zorba [com aquele espaço por onde saía o passarinho da propaganda] exposto pro mundo apreciar.

Rapidamente me joguei no chão, vesti minha bermuda deitado na areia e decidi que aquele dia não tava bom pra praia, não, afinal de contas, e fui-me embora de lá. Não sei se alguém percebeu e nunca comentou comigo ou se passou em branco, mas aprendi minha lição.

Nunca acredite em si mesmo: a confiança é irmã gêmea da vergonha.


quinta-feira, novembro 27, 2008

Tirando o atraso...

Tirando o atraso...

Manual Básico de Sobrevivência a Conversas Chatas e/ou Inconvenientes

Pessoas inconvenientes existem. Isso é um fato que não há como ser contestado. Mas o pior de tudo é que elas estão em todas as partes, em qualquer lugar e podem te encurralar a qualquer momento para um papo daqueles.

Há, no entanto, algumas ferramentas que podem ser usadas por uma pessoa de bom senso para livrar-se, suportar ou simplesmente ignorar uma conversa com os Incos.

1. Adote a Zebra na sua vida: Quando uma Inco puxar um assunto chato e/ou inconveniente para cima de você, chame a ajuda da Zebra [ou da Girafa, depende do seu gosto animal]. Por exemplo: “Alguém já te disse que você tem a cabeça desproporcionalmente maior que seu corpo?”; responda “Olha a Zebra! Nossa que incrível aquela Zebra aqui. E ela é tão listradinha, toda em branco e preto. Fashion, né?” e saia andando como se fosse a coisa mais normal da sua vida. Os ingleses usam muito essa técnica em suas vidas. É garantia da pessoa te achar um maluco e te deixar quieto por um tempo.

2. Um ponto fixo pode mudar sua vida: Outra técnica muito eficiente é encontrar um ponto fixo numa parede e focar sua vista nele, tentando perceber o quão pequeno ele pode ser. Desta forma, você entrará num estado quase meditativo e suportará tudo que a Inco lhe dirigir. Os budistas inventaram esta técnica como forma de passar em um dos testes para se alcançar a iluminação.

3. Lembre-se da última palavra dita. Dita?: Se a Inco que veio pra cima de você é uma pessoa importante e você não pode simplesmente ignorá-la a dica é prestar atenção. Calma. Preste atenção apenas na última palavra de cada frase e a repita em forma de pergunta. Exemplo: “Filho, a melhor forma de guardar copos é colocá-los no armário em ordem crescente de tamanho da esquerda para a direita e não ao contrário como você fez”, “Fiz?”, “Fez, mas agora eu já arrumei tudo da maneira correta. O que seria de você sem mim?”, “O que seria?”, e daí por diante. Créditos para Aline Gruba.

4. Ã? Ahhhh. An-hann: Nunca subestime o poder que a primeira letra do alfabeto pode fazer por você. Quando uma Inco vier na sua direção, se arme com o “A” e deixe fluir. Exemplo: “Outro dia, eu passei muito mal e passei a tarde toda no trono”, “Ã?”, “Pois é. E saiu tudo assim e assado [censurado].”, “An-hann”, “Mas agora eu estou muito melhor. Voltou a sair dessa e daquela forma [censurado], do jeito que eu gosto.”, “Ahhhh...”, e por aí vai. Créditos para Gruba, de novo.

5. Talk to the hand: Agora, a técnica mais eficiente para evitar uma Inco esta literalmente na palma da sua mão. Se for uma pessoa que não vai fazer a menor falta na sua vida, mande ver com este artifício. Assim que você perceber a Inco vindo na sua direção ponha sua mão à sua frente impedindo-a de olhar diretamente para seu rosto. Mantenha essa posição até que a pessoa se vá. Cuidado! Esse método é muito eficiente e, portanto, pode deixá-lo viciado em usá-lo a torto e a direito. Escolha com sabedoria com quem usar a técnica para não criar inimizades com todos. Afinal, como já diria o falecido tio do Peter Parker, "com grandes poderes, vem grande responsabilidade".

O Projeto Menino do Rio 2009 começou nesta última terça

Só digo isso.

Piada infame

De "O Globo Online": Mares mais ácidos, conchas sofrem com acidez. Solução? Escove as conchas com Colgate Proteção Total que tá tranqüilo.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Dinheiro é uma bosta

Não sei se foi de propósito ou se o pessoal de economia do G1 está mesmo fanfarrão, mas dá uma conferida na foto ao lado de uma nota de 20 mil dólares zimbabueanos [é assim de se chama?].

Cara, com uma inflação de 231.000.000 %, realmente essa nota amanhã não vale mais nada. Mas o pessoal da casa da moeda do Zimbábue precisa botar uma imagem de uma pilha de bosta impressa na nota?

Sacanagem...

quarta-feira, outubro 08, 2008

Desmunheca direito!

- Abre as mãos! Deixe-me ver seus dedos! Vai lavar as mãos!

Ok... Não sabia que pra pegar minha digitais precisava lavar as mãos antes, mas tudo bem.

- Abre as mãos! Deixe-me ver seus dedos! Vai secar as mãos direito!

Cara, se eu quisesse alguém berrando comigo, não precisava vir pras Argentinas.

- Abre as mãos! Deixe-me ver seus dedos! Bueno!

Putz! O mundo caminhou, mas por aqui as pessoas ainda acham divertido sujar suas mãos com tinta pra poder pegar suas digitais.

- Deixa as mãos soltas! Não deixa dura!

Cara, seu eu deixar minha mão mais solta que essa acho que desmunheco sem volta.

- Deixe-me ver se ficou boa... Ta ruim! Você fez errado! Tem que fazer de novo!

Lá vai ela sujar minha mão de novo. Cara, agora vou bem deixar minha mão o mais desmunhecada humanamente possível!

- Solta a mão! E faz direito agora!

Cara, faz o quê? É ela quem pega dedo por dedo e pressiona contra o papel. Minha parte é apenas deixar a mão solta e ter digitais. É muita cara de pau botar a culpa em mim!

- Não ficou boa de novo! Seu dedo está errado! [xingamentos e reclamações em espanhol impronunciáveis]

Meu dedo tá errado? O que ele fez? Eu hein!

- Mira, olha sua digital dos anelares. Estão completamente erradas! Está vendo aqui, como elas começam muito embaixo? Seus anulares estão ambos errados!

Sempre achei isso. Quer que eu os arranque fora? Eu hein!

- De novo! Agora deixa a mão solta e faz direito! Vou ter cuidado com esses seus anelares danificados.

Ei! Só eu posso falar mal dos meus anulares danificados! Velha escrota.

- Agora sim! Vai lavar a mão e vai embora! Próximo!

segunda-feira, outubro 06, 2008

The 80’s are back!

Ou Breguice nunca sai de moda

Quando estávamos pensando em vir pras Argentinas começamos a fazer uma pesquisa sobre o lugar. Descobrimos que o país vive na década de 80. Mas nada como viver por aqui pra descobrir isso na pele.

Tem umas coisas sérias, tipo a economia. Ninguém tem dinheiro em banco porque o dinheiro desvaloriza muito rapidamente. Você recebe o salário, saca tudo e compras o que tiver que comprar imediatamente. Se bobear, perdeu.

O Governo briga com o pessoal do campo que resolve fazer greve. Aí a presidenta tem que mandar laçar boi no pasto, senão as cidades ficam desabastecidas. Eu, hein!

Agora, há outras coisas que são meio desconcertantes. Tipo a música. As rádios só tocam músicas americanas da década de 80. INXS bomba! Tears for Fears traz lágrimas ao rosto de cada adolescente. Nirvana é uma novidade!

As lojas também seguem essa tendência super chic. Só que as lojas mais caras dão uma leve disfarçada, aquele toque de chiquereza: elas tocam versões instrumentais dessas músicas em flauta boliviana. Sim! Que nem aquele grupo de bolivianos que toca no Largo do Machado e no centro. O fino da bossa!

Agora, a moda é coisa de outro mundo. Parece que todas as mulheres assistiram a Flashdance outro dia e acharam muito maneiro se vestir de legging preto, saia rosa-choque, polainas azuis e camisetas com gola cortada brancas. O último grito da moda!

Os cabelos estão ali: pau-a-pau. Só assistindo a Secretária de Futuro alguém poderá chegar perto da compreensão do que digo. Sim, há cabelos cheios de laquê no estilo Nanny Fine; sim, há cabelos repicados com as pontas em rosa-choque tipo Madonna em Who’s That Girl?; e, por fim, sim, há rabos de cavalo na lateral da cabeça estilo Xuxa [“E quem não quer, não é baixinho?”]. Não se esqueçam do All Time Classic argentino: os mullets. Para homens e mulheres.

Se você for muito novo e não sabe direito como era a década de 80, dê um passei o por Buenos Aires. É melhor do que as minhas lembranças!

Sobre Televisões e Guarda-Chuvas

À noite é o momento de Carol e eu assistirmos à TV; e rirmos. Sim, porque há cada coisa mais estranha que vocês nem imaginam.

Tipo um canal que passa anúncio de jornal o dia inteiro. Isso mesmo, anúncios escritos de jornal. “vendo carro 99 azul”, “preciso de cachorro pra companhia”, “moreno alto, bonito e sensual – a solução para os seus problemas”. Enfim...

Tem outro canal que passa novelas da Globo o dia inteiro. Todos os dias. Agora ta bombando “A Presença de Anita” e “Mulheres Apaixonadas”. U-hú.

Por fim, hoje tivemos uma das cenas mais inusitadas que já vi. Na TNT estava passando o show da Rihana. Ri-quem? Pra quem é perdido como eu, trata-se de uma menina que tem um nome estranho, nasceu nas Bahamas [é bahamense?] e canta a música sobre os guarda-chuvas [mas o verdadeiro hit é a versão INRI Christi – confira no YouTube!].

Beleza, ela tem cabelo curto, roupas de couro e canta umas músicas que eu jurava que eram da Madonna [sim, reafirmando totalmente minha falta de noção neste assunto]. Enfim, lá esta ela, magrela, anamórfica, rebolativa e animada num show em Manchester quando anuncia a música mais esperada da noite: Umbrella.

A galera vai à loucura, fogos de artifício voam pelo palco, todo mundo cantando em coro a música [que, afinal de contas, não tem uma letra tão difícil, né? É só repetir “ê-ê-ê, under my umbrella-ella-ella”. Mooooito bonito]. Quando, para o meu espanto, todo mundo saca seu guarda-chuva e, numa catarse coletiva, deixam-no abertos sobre suas cabeças enquanto repetem a complicadíssima letra da música: “ê-ê-ê, under my umbrella-ella-ella”.

Como assim!? Nego realmente levou uma porcaria de um guarda-chuva pra um show só pra balançar no ar enquanto canta uma música merda com letra chata a repetitiva! “ê-ê-ê, under my umbrella-ella-ella”

Vai entender o mundo. Eu é que não vou...

sexta-feira, outubro 03, 2008

As civilização tudo aí

As sociedades civilizadas são outra coisa. Todo mundo me dizia que Buenos Aires era muito mais civilizada que o Rio e que as pessoas eram mais educadas.

Com certeza! Até agora só vi educação distribuída a torto e a direito.

Ao atravessar a rua, você se joga na frente do carro – se ele parar, você vai. Se não, você fica. Sim! Em qualquer lugar da cidade e não só no centro como no atrasado Rio de Janeiro.

Se você vai a um restaurante, faz amizade com o garçom [aqui devidamente chamado de mozo, como no Rio, mas muito mais chique porque tem um Z no lugar da Ç]. Todo mundo faz amizade, é uma coisa comum. Até porque, se você não fizer, você demora pra ser atendido, pra receber sua comida e, principalmente, pra receber a conta. Viu que avanço? Ninguém quer lhe entregar a conta pra pagar; que indelicadeza!

Agora, a mais distanciada educação que temos em relação ao Rio está nos momentos de incômodo dos porteños. Quando alguém se sente injustiçado, infeliz, ou puto mesmo, no alto de sua irritação inigualável, o argentino vai manda seu xingamento preferido: BOLUDO!

Sim! Nada de conjugar neologismos ou aglutinar xingamentos como o carioca e seu vil “putaqueopariucaralhoporra!”. Não. Bo-lu-do [ou bo-luuuu-do, como tenho certeza que a Antônia falaria].

E se você estiver realmente triste com a vida, o universo e tudo mais [resposta: 42], manda um PELOTUDO! Mas isso é muito forte e quase ninguém usa. O único caso que eu sei de uso deste palavreado tão feio é em final de campeonatos de futebol entre Brasil e Argentina que o Dunga seja o técnico e nossos hermanos perdem. Mas é compreensível...

sábado, agosto 09, 2008

Um Final

Ela, em seu leito derradeiro, descansa entre um sopro e outro. Respirar é doloroso e quase pior do que não fazê-lo. A filha tem sua mão contra a face dela, molhando-a de lágrimas. O marido, contra a parede, luta entre o egoísmo de tê-la para sempre ao seu lado e o altruísmo de desejar o fim da dor; dela e de todos mais.

Um último esforço e o findo ar escapa deixando apenas o vazio da inexistência. A filha levanta e abraça o pai, com seu rosto enfiado no peito dele. O marido abraça de volta e imerge sua face nos volumosos cabelos da filha. Os dois escondem seus olhos pois a realidade é horrenda demais para um mero vislumbre.

E ninguém vê. Ninguém percebe. O momento em que ela levanta-se com seu tórax inerte. Ela olha para os dois e uma única lágrima escorre. A seguir ri. Olha para a janela e começa a refletir e calcular. Se a menor força, empurra a cama com o dossel para o outro lado do quarto. Levanta os dois abraçados como se fossem pluma e os deposita carinhosamente fora do caminho.

Ela dirige-se então ao corredor e anda até o fundo. Vira-se de volta ao quarto e toma posição. Então parte. Correndo, segue toda a extensão do corredor, entra no quarto, passa pela cama e, no último instante antes de atravessar a janela, olha os dois abraçados.

E então seus pés descolam-se do chão – e da realidade. Pelo menos desta; das outras já não se sabe...

terça-feira, agosto 05, 2008

Tempo vs. Dinheiro

Vocês têm uma coisa que eu não tenho: um relógio. Mas isso não quer dizer que eu não ligue para o tempo. Apenas não tenho dinheiro para comprar um relógio.

Eu possuo algo que vocês não possuem: tempo. Isso não significa que vocês não liguem para o tempo. Somente possuem muito dinheiro para conseguir desfrutar de tempo.

“Life is what happens to you when you’re too busy doing something else”

quinta-feira, julho 31, 2008

Era uma vez...

Era uma vez um menino. Ele andava na rua sempre olhando pra baixo e tendo muito cuidado para não cair num buraco ou pisar em merda de cachorro. Só que ele vivia batendo com a cabeça em postes e placas de rua. Seus amigos reclamavam que passavam por ele e ele fingia não ver – quando na verdade ele realmente não os via por estar sempre com a cabeça baixa.

Era uma vez uma menina. Ele andava na rua sempre olhando pra frente e tendo muito cuidado para não bater em postes e placas e para não deixar desapercebidos seus amigos. Mas ela vivia caindo em buracos e pisando em merda de cachorro. Seus amigos viviam reclamando que ela chegava sempre suja ou machucada aos lugares.

Era uma vez um menino que conheceu uma menina. Ele andava na rua sempre olhando pra baixo. Ela vivia olhando pra frente. Um dia, ele estava amarrando o sapato e ela esbarrou nele. Assim se conheceram. Eles nunca mais bateram em postes e placas ou caíram em buracos ou pisaram em merdas de cachorros.

domingo, julho 27, 2008

Um minuto

Acho que já fiz isso hoje. Já, já fiz sim. Saco essa história de ficar me repetindo. Trabalho repetitivo é uma merda.

O pior é que é sempre assim. Trabalhar é repetir várias vezes algumas poucas tarefas ao longo do mês. Cada dia uma tarefa diferente, o dia inteiro a mesma tarefa. E só se leva um minuto pra cada uma. Saco.

- Ei!
- Hã?
- O que você ta fazendo?
- Como assim?
- O que você ta fazendo?
- Estou trabalhando.
- Eu imaginei. O que pergunto é: você está realizando alguma tarefa diferente da que você acabou de fazer?
- Não...
- A próxima será diferente da que você faz agora?
- Também não.
- Comigo é o mesmo.
- Sim. E daí?
- Você não fica com a impressão de que o dia se repete em um minuto.
- Hã?
- Seu dia inteiro se resume a um mesmo minuto de trabalho repetido diversas vezes ao longo do dia.
- Cara, boiei.
- Sim, sim. Você vive o mesmo minuto do dia o dia inteiro.
- Putz, o que você tomou hoje?
- É sério...
- Vamos almoçar?

Saco! Almoçar é a coisa mais diferente e divertida para se fazer no dia. Há sempre uma comida diferente, no entanto é sempre a mesma. Sempre uma salada. Sempre dois pratos quentes. Sempre arroz e feijão. Sempre os mesmos temperos. Sempre o mesmo gosto. Todo dia uma comida diferente; todo dia se come o mesmo.

- E então? Pensou no que eu falei?
- No quê?
- Sobre o trabalho...
- Nem entendi o que você falou!
- Caralho.
- Quê?
- Nada, deixa pra lá...

Escovar os dentes. Esfrega os de cima. Esfrega os de baixo. Esfrega os da esquerda; os da direita. Esfrega a língua. Cospe. Igual a ontem.

- Viu o jogo?
- Não. Esqueci. Como foi?
- O de sempre. A defesa é muito fraca! Falta atacante decente. É foda!
- É foda...

Essa cadeira vive desregulada. Bom, basta ajeitar direitinho. Pronto. Monitor na altura certa. Teclado e mouse nos lugares ideais. Agora é só trabalhar. O que estava fazendo mesmo?

Acho que já fiz isso hoje.

sábado, julho 26, 2008

A vida corporativa

Ou Tirando a barriga da miséria


Eu já havia escrito sobre o quão fascinantes são janelas em ambientes de trabalho. Particularmente a do banheiro.

Mas isso porque nos escritórios as janelas estão sempre com persianas fechadas e não há janelas nos corredores.

Recentemente, no trabalho um pessoal foi deslocado de sua sala e a dita cuja ficou vaga. Ela tinha o maior janelão para o corredor que sempre estava fechada, com a persiana baixada.

Pois bem, após a saída do pessoal, abriu-se a maior vidraça. Ficou todo mundo aprisionado pelo fascínio de ter um novo lugar pra olhar, todos gravitando em volta, como insetos em volta da lâmpada.

Só pra ficar olhando para um monte de mesas desmontadas e papéis amassados no chão. Só havia isso para ver. Mas todos estavam loucos para meter o bisoião.

Ontem fecharam a persiana de novo. Tinha que ver a cara de órfão que as pessoas faziam ao passar pelo corredor...


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Banheiros em geral são lugares não muito sanitários. Nem devem ser, na verdade.

Esse é o espaço em que a pessoa pode [e deve] mostrar o seu pior. Botar pra fora tudo que a há de ruim dentro de si.

É o lugar em que é socialmente permitido peidar, arrotar, tirar meleca, coçar o saco [ou a bunda, ou a xebereca, ou o que mais lhe vier à mente], conferir se o sovaco ta tranqüilo e até mesmo cantarolar Los Hermanos.

É pra você ser tudo de ruim ali dentro pra poder ser o melhor que consegue ser do lado de fora.

Então eu não entendo alguns comportamentos das pessoas em relação ao banheiro:

1) Pessoas que não usam a proteção de assento em banheiros públicos. Amigo, você não sabe por onde andou aquela bunda antes dela sentar no mesmo lugar que agora a sua se encontra. Não sei quanto a você, mas eu gosto da minha bunda e prefiro ela sem doenças.

2) Pessoas que olham feio pra você quando sai aquele peidinho durante a mijada. Poxa, estou ali me aliviando, é normal que o alívio seja total. Largue de ser quadrado!

3) Sabonete líquido. Cara, não é mais higiênico que sabonete em barra. A mão que você usou pra se limpar é a mesma que vai apertar pra sair o sabonete. No exato mesmo lugar que todas as mãos anteriores à sua apertaram logo depois de limparem seus donos. Sim, no sabonete em barras se toca onde todo mundo tocou antes também. Amigo, o sabonete é auto-limpante! Ele é feito de uma substância que limpa, não há como ficar sujo. A não ser que o espírito de porco anterior ao seu tenha enchido o dito cujo de areia ou largado uns pentelhos por ele, toda sujeira mais se esvai.

Assim sendo, pense bem ao usar o toalete. Ele pode ser muitas vezes sua salvação, mas também pode ser sua perdição.