quarta-feira, dezembro 23, 2009

Literalismo Luso-Porteño

Um amigo conta que foi a Portugual e, num sábado, passou em frente a um restaurante que tinha gostado. Aproveitou e perguntou ao garçon se o restaurante fecharia no dia seguinte, domingo, pela noite. Ele queria levar uns amigos pra jantar lá.

Como a resposta foi negativa – “não, aos domingos não fechamos de noite” – ele voltou no dia seguinte com os amigos. E encontrou o restaurante fechado.

O que aconteceu? O garçon deu uma sacneada nele? Não, nada disso. O restaurante não abria aos domingos, então não tinha como fechar só pela noite.

Esses literalismos de nossos irmãos lusos estão na moda aqui em terra dos hermanos. Não sei se é má vontade, implicância, simples displicência ou todas as antoriores, só sei que os serviços por aqui são todos controlados por gente que só sabe viver no literalismo luso-porteño.

Como quando fui ao restaurante e, chegada a comida, perguntei se não haveria um molhinho para a carne. O garçon prontamente respondeu que sim. Estou esperando o tal molhinho chegar até agora.

Ontem fui comprar o presente de natal da metade-cara. Depois de entrar em várias lojas e ouvir uma série de “tenemos pero no hay”, achei uma loja que tinha E que havia o que eu queria. Escolhi o que queria, paguei e avisei ao caixa que era para presente.

O cara respondeu um “que bom, né?”, vulgo “troféu joinha pra você”, e colou um lacinho pré-fabricado na bolsinha vagabunda da loja na qual tinha tacado o tal presente.

Eu tentei insistir e repeti que era um presente. Ele me entregou a bolsa incrivelmente ornamentada com o lacinho com que falando “eu sei, tá aqui o presente” e me desejou boas festas.

Não posso dizer que desejei o mesmo para ele, mas posso afirmar que desejei que fosse pra...

terça-feira, dezembro 22, 2009

Ataque de bobeira

Acho que um dos grandes prazeres da vida – e um dos mais simples – é o ataque de bobeira.

Quem nunca viu, ouviu ou presenciou alguma coisa muito boba e meio sem graça mas que fez com que você ficasse rindo daquilo durante horas e repetindo a besteira e se mijando rir tudo de novo?

Eu já fiz isso várias vezes. Várias.

Assistir a Monty Python em Busca do Cálice Sagrado é garantia de passar dias berrando Ni! para as pessoas e me escangalhar de rir. Sozinho.

Assistir a Up! no avião durante as férias foi cair na gargalhada – do tipo que chama a atenção do avião inteiro e a aeromoça vem ver se está tuod bem – ao chegar na parte do “Esquilo!”. Ainda passei boa parte das férias repetindo essa merda e rindo sozinho, para o desespero da minha metade-cara.

Agora, neste fim de semana, fomso ao mercado fazer compras. O mercado argentino é um poço de ataque de bobeiras em potencial. É água sanitária chamada Ajudin, limpador de fogão chamado Mr. Músculo, limpa-borras etc.

Mas o escolhido dessa semana foi limpa-pisos chamado Blem. Porra! Blem! Pedi pra Carol passar o Blem e a palavra não saiu mais da minha boca.

Blem!

Cara, to rindo até agora da maior besteira sem graça do mundo. Mas é uma palavra com um som muito engraçado [pra mim].

Coitada da Carol que teve que ficar me ouvindo repetir essa merda por horas. E me escangalhando de rir todas as vezes.

Ataque de bobeiras rules!

Blem!




*****


Intento de escribir en español.


Ataque de Boludez

A mi me parece que uno de los grandes placeres de la vida – y uno de los más simples – es el ataque de boludez.

Quien jamás vío, oyó o presenció algo muy tonto y como nada gracioso pero que te hizo carcajar de esso por horas y repetiendo la tontería y se cagando de reír todo de nuevo?

Yo ya hice esto varias veces. Varias.

Al ver a Monty Python And The Holy Grail es seguro que pasaré días gritando Ni! a la gente y me cagando de reír. Solo.

Ver a Up! en el avión en las vacaciones fue me matar de reír – de la clase en la cual todo el avión te mira a vos y la azafata viene a preguntarte si está todo bien – al llegar a la parte de lo de “Ardilla!”. Pasado el avión, seguí parte de las vacas repetindo esta tontería y carcajando solo, para el desespero de mi mitad-cara.

Ahora, en este fin de semana, fuímos al mercado hacer compras. El mercado argentino es un crisol de ataques de boludezes en potencial. Es lavandina de nombre Ayudín, limpa-todo con nombre de Mr. Músculo etc.

Pero el elegido de esta semana fue el limpa-pisos con nombre Blem. Fuck! Blem! Pedí a Caro que me pasara el Blem y la palabra no salió más de mi boca.

Blem!

Che, estoy me cagando de la risa hasta ahora de la más grande boludez nada graciosa del mundo. Pero es una palabra que suena muy raro [para mi].

Pobre de Caro que tuvo que me aguantar repetindo esta mierda por horas. Y me cagando de la risa todas las veces.

Ataque de boludez rules!

Blem!

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Da eterna chegada à eterna despedida

Se tem uma coisa engraçada a respeito da vida no exterior, é a relação com os amigos e parentes que nos visitam.

É claro que há um mega saudade e tudo o mais, há momentos em que a solidão bate forte e dói como picada de abelha. Nosso primeiro [e, se tudo der certo, o último] natal junto é uma boa prova disso.

Mas acho que o que mais dói é perceber que nossos encontros com nossos queridos são todos baseados nas despedidas.

Quando morávamos no Rio, por outro lado, nossos encontros eram eternas chegadas. Tinha sempre alguém visitando, uma festinha pra receber alguém, um jantar oferecido pela gente ou pelo próprio amigo, alguém para jogar uma biriba até a manhã seguinte.

Ao fim, a despedida também era uma eterna chegada ao som de um “Amanhã, chega mais”, “Depois chega aí”, “Não deixa de dar uma chegada quando der”.

Aqui, as despedidas são quase definições das distâncias que nos separam de todos que gostamos: “Até a próxima”, “Manda um beijo pra todo mundo”, “Foi bom te ver”.

Independente dessa nova dinâmica da eterna despedida, o momento em que estamos todos juntos é bom demais. E, no fim, é isso que realmente vale a pena.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Todo castigo é pouco

Bom, minha escrita aqui tem sido no mínimo errática. Passo um bom tempo sem escrever nada e tem um motivo muito sério pra isso.

Minha burrice.

Sim, depois de anos reclamando do colégio, da faculdade, do curso de inglês e da minha mãe mala que acorda às 6h em ponto todo dia, inclusive aos domingos, eu, por iniciativa própria, pedi pra trocarem meu horário no trabalho para das 7h às 15h.

Ou seja, tenho que acordar todo dia às 6h. Ninguém merece.

Mas o pior é que vale a pena. Eu chego em casa às 16h e dá tempo de fazer um montão de coisa ainda.

O foda é que fico com sono o dia inteiro, já que não consigo dormir cedo de forma alguma.

Então, taí o motivo de tão pouca escrita.

terça-feira, novembro 17, 2009

Zeca in BsAs

Buenos Aires se rende ao charme pançudo de Zeca Pagodinho.

Em plena 9 de Julho, a principal avenida do centro da cidade, quase em frente ao Obelisco, o Edifício del Plata colocou um enorme painel com personalidades e atividades lúdicas.

Entre eles, está Zeca, o pagodinho, com sua barriguinha saliente e uma garrafa de vinho na mão - não dava pra colocar um Brahma senão ficaria muito descarado...

Vejam a nota no site oficial do edifício: http://www.aireyluz.com/2009/10/ultima-imagen-de-arte-en-el-plata-terraza-marcos-lopez/


Foto do painel no edifício
com os personagens e eventos lúdicos


Detalhe do painel


Foto de tira-teima


P.S.: Desculpem pela péssima qualidade da foto do painel, mas foi retirada do site da própria divulgação dela .

quinta-feira, outubro 29, 2009

Dando a volta

Minha me tem uma teoria que eu comparto de que tudo que é extremo acaba dando a volta e indo para o outro extremo.

Coisas tão doces que ficam amargas, políticos tão de esquerda que viram facistas, coisas que se odeia tanto que se passa a amar.

No caso, coisas tão ruins que viram muito boas.

Tipo Rivaldo Sai Desse Lago, tipo Luciana Gimenez, tipo comercial de toby guaraná no intervalo do programa da Luciana Gimenez.

Segue abaixo um vídeo feito no Ecuador. Não é preciso falar espanhol para entender a qualidade aqui mostrada.

¡Dios, ayudameeeeeeeeeeeeeeeeee!


quarta-feira, outubro 28, 2009

Idiossincrasia nossa de cada dia

Me sinto meio perdido quando no meio do trabalho escuto diálogos em inglês, pessoas falando em espanhol e a menina do lado fica escutando Daniela Mercury.

Pode não parecer, mas os argentinos conhecem muito do Brasil. Essa mesma menina conhece mais lugares do Brasil que eu, certamente. Todo ano tira férias por lá.

Mais que isso, conhece um bocado de música brasileira. Tá bom que a maioria é de axé, mas também conhece um pouco de bossa nova e tropicália. Nada mal...

Quando fui ao Peru em 2005, fui pego de calças arriadas quando umas peruanas [que queriam me dar o cuy para eu comer, mas isso já é outra história] me perguntaram o que eu conhecia de música peruana. Eu disse que nada. Música latino americana? Nada.

[Tá bom que sou um pouco alienado em relação ao assunto e que poderia ter citado um Fito Paez, Manu Chao, pai e filho Iglesias, Luiz Miguel e forçado um pouco a barra com um John Secada – jurado de Latin American Idol – e o ex-menudos “1, 2, 3, baila salsa e merengu María” Ricky Martin]

E elas de música brasileira? Bom, axé. Mas fiquei sem crédito pra poder criticar o gosto delas.

Fato é que acabo conhecendo um pouco mais de América Latina – e de Brasil, por incrível que pareça – morando aqui do que no Rio.

Quem diria...


Ah! E que pena a morte de "La Negra" Mercedes Sosa...

terça-feira, outubro 27, 2009

Visitas inesperadas

Eu tenho uma memória muito visual. Não lembro de forma alguma o endereço das pessoas, mas se me pedir pra te levar lá, chego fácil, fácil. Lembro de episódios de programas e filmes logo na primeira cena que assisto. Lembro de textos que li do trabalho só de ler as primeiras linhas, mas não lembro de forma alguma o nome do trabalho.

Mas o que mais me intriga e me deixa em maus lençóis é reconhecer pessoas. Eu lembro do rosto de pessoas que encontrei uma vez, mas lembrar seus nomes e de onde eu os conheço é quase impossível. Demoro décadas para lembrar do nome das pessoas. Aqui no trabalho, falo todo dia com umas 20 pessoas, mas só lembro do nome de umas 6. O resto é tudo “che”.

Na rua, cansei de encontrar com pessoas, reconhecer seus rostos, ser reconhecido e não fazer idéia de quem eram. Sempre rola aquele “e aí, cara, como anda o pessoal?” para tentar descobrir de onde conheço a pessoa.

No entanto, tem um lado desse aspecto da minha memória que é bem interessante pra mim: ver pessoas que lembram amigos, mas que você acaba percebendo que não são elas. Passado o momento de ficar encarando a pessoa como um tarada tentando lembrar quem é, percebo que a pessoa é apenas uma sombra de um amigo e deixo a pessoa quieta – coitada, normalmente já tava chamando um policial.

Os momentos mais interessantes de ver meus amigos nos outros é quando eu olho de relance. Nesta fração de segundo em que vejo a pessoa, tenho certeza de que é meu amigo que está ali.

Não posso deixar de ressaltar como isso é interessante e importante pra mim nesse momento de pouco acesso aos amigos devido à distância.

Hoje, vindo para o trabalho de trem, já chegando na estação eu olho para o meio do vagão e o mar de pessoas se abre. Neste momento, no espaço entre as duas portas da composição, está um cara se equilibrando sem se segurar nos corrimãos e tocando um air bateria. Era o Firls. Era ele, sem sombra de dúvida. Estava de óculos escuros grandes, cachecol preto no pescoço, suéter de tweed vermelho e azul marinho e uma calça jeans apertadinha. Ouvia seu iPod, marcava o contra-tempo com um pé e mandava ver na batera.

No que olhei de novo, o mar de gente escoou pela porta do vagão e pela estação e não vi mais o cara. Mas foi bom receber essa visita inesperada, mas muito bem-vinda – mesmo que apenas por um milissegundo.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Uma pessoa helpis


Desde que cheguei na Argentina tem sido uma batalha, um prazer e um exercício diário de paciência aprender o espanhol e – pior – o linguajar porteño.

Aqui se fala um espanhol bem diferente do resto da américa latina e da espanha. Em se tratando das gírias, isso fica ainda pior.

Bom, o pessoal do trabalho me ajuda bastante com isso. Volta e meia eles me ensinam uma nova e me explicam como usá-la. Fora as que eu pesco dos nossos papos no almoço e invento de usá-las sozinho.

Por conta disso, eu tenho épocas em que cismo com uma gíria e fico usando ela à exaustão. Tipo quando aprendi o che. Todo mundo era che pra mim e ele virou início, ponto final e vírgula das minhas frases.

Agora já estou pegando mais leve.

Recentemente, eles decidiram que me apresentariam finalmente ao boludo. Eu já conhecia, mas nao tinha coragem de usar.

O boludo é algo parecido com o uso que o carioca dá pro viado. É um xingamento, mas também é como os amigos se chamam “carinhosamente”.

Só que aqui, o boludo se usa pra tudo. TU-DO. Se usa pra homens e mulheres, velhos e infantes, carinhosamente e com muita raiva.

Por conta disso, sempre tive medo de usar a palavra e ser mal-interpretado.

PARÊNTESIS: tive um professor de inglês no Pedro II que me contou uma história sobre o perigo de se usar gírias sem ter total domínio da palavra. Um amigo americano dele que falava português razoavelmente bem estava no Rio andando de carro com ele quando os dois foram fechados por um cara. O tal americano saiu do carro possesso e soltou na lata do outro motorista um “sua danadinha!”

Dito isso, eles ficaram me mostrando situações em que se usava boludo adequadamente para eu aprender.

Aí, ontem resolvi trazer um bolo de laranja  pro trabalho.

Eu adoro bolo de laranja e queria compartilhar esse prazer com alguns companheiros de trabalho no nosso café-da-manhã de todo dia [depois explico melhor essa história].

Cheguei com o bolo e eles não entenderam nada. Não entenderam o bolo. Não entenderam por que eu tinha um bolo e nem o que era aquilo.

Fizeram milhões de perguntas desde se era meu aniversário, alguma data comemorativa brasileira, se tinha ganhado na mega sena etc. Depois que eles se convenceram, muito desconfiadamente, de que eu nao estava comemorando nada para trazer o bolo, eles examinaram o dito cujo. E não entenderam por que não tinha um chantily por cima, ou marshmallow, ou uns morangos ou sei lá mais o quê.

Depois de tanta boludice, mandei logo que eles eram um bando de argentino boludo que não sabia o que era bom nessa vida e comi tudo sozinho.

Não sei se eles gostaram, mas eu usei a palavra direitinho.

*****

Isso me fez lembrar um vídeo que vi no youtube muito bom com vários adjetivos inventivos. Acho que vou dizer todos esses pra eles e ver como se saem tentando usá-los normalmente.


sexta-feira, outubro 02, 2009

A origem das palavras

Eu sempre tive uma curiosidade nerd de saber a origem das palavras e expressões. Sei lá, tem certas coisas que falamos e que não fazem o menor sentido se tomamos seu sentido literal, mas que faz todo o sentido contextualizada.

Um exemplo disso é afogar o ganso, que tem origem na China imperial, quando os homens comiam os gansos e logo antes do êxtase afogavam o bicho. Parece que ao morrer afogado, o bicho contraía seu ânus e dava mais prazer ao seu dono safado.

Bom, dito isso, procurando o sentido exato da palavra “bitola” no Google, ele me sugeriu a palavra “baitola” caso eu tivesse escrito errado no campo de procura.

Eu já disse que o google tem um certo problema comigo e acha que eu sou baitola, mas me sugerir que procure o significado da palavra foi um pouco demais.

Não resisti.

Fui e cliquei na palavra pra procurar seu sentido, sua origem. Um dos links que apareceu foi um do wikicionário. Nele estava muito bem explicadinho o significado da pejorativa palavra e sua origem.

bai.to.la masculino – pederasta passivo.

Origem: Pela cultura popular, na construção das estradas de ferro no Nordeste, havia um capataz inglês com ares um tanto afeminados e que era muito rígido, principalmente com a bitolas [grossura] dos trilhos. Como tinha o sotaque da língua inglesa, o capataz pronunciava "baitola" em vez de bitola, o que originou seu apelido entre os operários e acabou espalhando-se pela região e, atualmente, pelo país.

Taí. Agora você já sabe exatamente do que te chamam pelas costas.







[Esse post valeu pelo de ontem que esqueci de escrever. Então tô de altus, não tá valendo]

quarta-feira, setembro 30, 2009

Eu, sagaz e a secretária eletrônica

Venho flertando com a idéia de voltar a freqüentar uma psicóloga. A metade-cara tá curtindo a dona-moça lá dela me indicou alguém que poderia me ajudar: uma especialista em gestuais.

Não entendi exatamente o que isso significava, qual era a idéia que a médica de doido da patroa fazia de mim, mas acreditei que só tinha a ajudar.

A última vez que abri minha cabeça foi ainda no Rio e saí com um diploma de pessoa bem-resolvida. Excelente. Mas, aparentemente, isso não significa muito em terras porteñas.

No país com maior número de psicólogos por habitante [exatos 154 para cada 100.000 pessoas], minha leve ilusão de que minha sanidade mental carioca se estenderia para estes lados foi, no mínimo, inocente.

Sendo assim, estou há duas semanas com o número do telefone da tal da indicação da psi da Carol. Foi uma semana tentando lembrar/superar a preguiça/deixar de vergonha para ligar para a moça. E foi outra semana juntando forças para deixar recado na secretária-eletrônica.

Sim, porque ela não atende o telefone. Tem que deixar recado na vil secretária eletrônica.

Como eu odeio esse bicho!

Eu odeio secretária eletrônica. Nunca tive, nem nunca terei. Não deixo recado na secretária dos outros, não deixo recado de voz no celular dos outros e não ouço os recados de voz do meu celular. Nunca li.

Se você já deixou [ou pensou em deixar] um recado de voz no meu celular, saiba que é o mesmo que nada. Desculpe, mas é.

Acho que eu liguei umas 15 vezes já pra mulher esperando que ela atendesse o telefone e desligando quando atendia a secretária. A essa altura do campeonato, ela já deve estar achando que tem um tarado perseguindo ela. Ou um paciente novo.

Só sei que hoje fiquei sabendo que ela NUNCA ia atender o telefone simplesmente porque ela NÃO ATENDE o telefone. Como ela não tem secretária, pra marcar consulta com ela, só deixando recado na famigerada máquina.

Juntei forças, ensaiei a frase, treinei em frente ao espelho do banheiro do trabalho [o pessoal que entrava e saía deve ter pensado que eu estava ensaiando a coisa certa], respirei fundo e disquei.

Atendeu a maldita. Esperei acabar o recadinho e mandei ver:

“Hola, me llamo pedro y me gustaria tener informaciones para tratamiento psicologico. Mis contactos son: xxxxx. Agradezco desde ahora, Pedro.” – Crédito para a metade-cara.

Feito isso, agora basta lidar com a minha ansiedade à espera de me ligar para marcarmos minha consulta.

Quem sabe ela consegue resolver alguns dos meus problemas psicológicos...

P.S.: Ah! Fui procurar no word em espanhol do trabalho sinônimos para a palavra psicóloga: conocedora, experta, especialista, perspicaz, sutil, sagaz, consejera. Espero que algum destes sinônimos sirva.

terça-feira, setembro 29, 2009

Golimar-mar-mar

Depois de Rivaldo Sai Desse Lago, meu novo herói e guru indiano se chama Golimar – mar – mar.

Ele é demais! Ele é tudo o que o Michael Jackson qui ser e só conseguiu hegar perto. Mas Golimar – mar – mar conseguiu. Ele é o cara.

Behold............. GOLIMAR – MAR – MAR!!!




Enquanto tentam resistir ao encanto de Golimar - mar - mar, sugiro dar uma conferida nos vídeos associados a esse, como o "Indian Superman" [tosqueira pura] e "Tônico com Guaraná" [o comercial não veiculado da série "comidas com guaraná"].

segunda-feira, setembro 28, 2009

Os pessoal são tudo estranho

As pessoas podem dar sinais de serem muito diferentes do que nós pensamos ser o normal. Recentemente, eu tive a oportunidade de vivenciar isso um pouco.

Primeiro uma notícia que escutei no rádio.

[Antes que qualquer BrunAlberto possa me execrar por não buscar a informação correta, devo dizer que escutei no rádio e estou escrevendo o que lembro da notícia, e não a informação completa.]

Bom, o Faith No More vai fazer uma turnê pelo Brasil e fez algumas exigências para o seu quarto de hotel ficar mais aconchegante. Primeiro, exigiu que o quarto estivesse repleto de revistas de sacanagens “as mais pervertidas possível”. Não bastava ter sacanagem, tinha que ser a coisa mais suja, mais porra-louca e criativa possível.

Não contente, resolveu que precisava de umas toalhas brancas “macias como o pelo de filhotes de coelhos numa manhã de verão”. What the porra?! Fala sério! O maluco pede as paradas mais pesadas de pornografia e despois me vem com essa descrição da sua toalha. beleza, cada um com o seu fetiche e se ele quer fantasiar que um filhote de coelhinho está ali no momento, o problema é dele. mas isso é muito maluco.

*****

Dito isso, conto um episódio do que aconteceu ontem, na casa da Mari. Estava a brasileirada toda lá quando ela resolveu mostrar sua mais nova hóspede: uma pomba que tinha feito um ninho e tido um filhote num vazo de planta na sua varanda.

Os penta-campeões todos estavam todos babando no bicho, felizinhos com o milagre da vida quando o namorido argentino de uma das meninas se intera do que está acontecendo.

Na hora, da forma mais espontânea possível, ele solta logo um “Uma pomba? Isso já aconteceu na janela da minha casa. É uma merda! Expulsa logo e joga o filhote pela privada!”

Acho que isso marca a diferença entre porteños e brasileiros: o bom-humor excessivo dos hermanos.

*****

Depois de falar dos outros, falo um pouco de mim. Continuo um pouco pra baixo, mas bem mais pra cima do que na semana passada.

Chega de olhar pra baixo; melhor olhar pra frente. Então estou tentando direcionar um pouco a minha vida e planejar o que fazer com o meu futuro. Acho que devo à moqueca da Mari meu princípio de bom-humor.

No momento, acho que vamos passar as férias no sul da Argentina, curtindo umas montanhas, a patagônia, os glaciares, alguns pinguinos e uma viagem de ônibus de 22 horas. Haja bunda.

*****

Por fim, aproveito para lançar a campanha nacional de “Abaixo O Frio Escroto”! Já chegou a primavera, mas o inverno não quer soltar o osso.

Chega!

Que venha o calor sufocante, o suor excessivo, as musculosas [nomes para as camisetas sem manga] e a piscina do prédio de 2x2 metros que vai bombar!

sexta-feira, setembro 25, 2009

Eu tento, mas nego não deixa...

Vou dizer que cheguei no trabalho hoje com boa vontade, decidido a não me estressar com pequenezas do dia-a-dia e nem com modus perandis distintos entre os colega de selvício tudo.

Até aí tudo bem.

Mas o bom humor foi por água abaixo quando eu leio um arquivo sobre um programa policial em que matam uma grávida de 8 meses e descrevem, com detalhes, por onde passaram todas as 9 balas atiradas contra a pobre senhora. Inclusive a que deu cabo da sua gravidez.

Aí não dá. Não tem bom-humor que agüente.

Não vou dizer que estou de mau-humor, mas devo dizer que não estou mais animado.

Numa tentativa de animar um pouco a vida dos outros, aí vai um vídeo ótimo que me enviaram e que tem tudo a ver com os últimos temas do blog da minha metade-cara.

Segue o momento youtube pra vocês.

Glúteos zero

Acho que eu já escrevi sobre esse tema, mas e daí?

Aqui em BsAs a mulherada não tem bunda. Não tem. Nada. Não tem culote, não tem bunda caída, não tem cintura às vezes.

E isso faz uma falta danada. Eu sei que pode parecer machista, falta de respeito para com as mulheres e com a minha esposa também. Mas não é que ue fique olhando pra ver o que tem no cardápio. É só uma questão cultural. Você vê uma pessoa bonita, você olha, ela chama atenção.

E eu percebi que faz muito tempo que uma bunda me chama atenção. E isso é triste. É como se faltasse algo nas mulheres daqui. Até nos comercias as mulheres desbundadas aparecem balançando aquela parte onde termina as costas e começam as pernas. Não é à toa que não existe a palavra “bunda” em espanhol, existe cu [culo] e seus derivados [como rabo – cola].

E os porteños adoram uma bunda. Todos admiram as bundas das brasileiras. As revistas de mulé pelada todas têm sempre uma mulher de costas ou de quatro com a [falta de] bunda arrebitada.

Ou seja, a bunda é valorizada.

Mas as mulheres adoram seus peitos. Os homens também, mas as mulheres parecem que gostam mais. Conheço uma que nesse pequeno período em que estive aqui colocou seu implante de lolas [peitos] e umas outras tantas que já peguei conversando sobre fazer o mesmo. Já li no jornal que as boates de Mar del Plata davam como brinde para as mulheres que entrassem antes da meia-noite uma cirurgia de implante! Isso é bizarro!

Agora, se as mulheres das revistas de putaria, com todas as suas lolas gigantescas, mesmo assim aparecem na capa empinando a [completa e absoluta falta de] bunda, por que todas insistem em colocar seus air bags?

Deveriam investir em implante de glúteo! Ou de culote, sei lá! Mas de qualquer coisa que faça com que os homens possam olhar para alguma coisa conforme sobem a escada e não apenas quando descem.

Isso ou vou importar calças da Gang e ficar rico! Elas [e eles] estão precisando disso urgentemente!

[Ah! Esse post vale por quinta. O de sexta eu escrevo ao longo do dia]

¿Por qué?

Bom, nesta semana tem feito um frio meio escroto do tipo 4 graus durante a noite e 10 de dia. O que me leva a crer que San Pedro, o São Pedro argentino, é um sacana e fez a segunda-feira aqui ser uma lindeza só, uma pintura de bonita só de engana-trouxa por ser o primeiro dia da primavera.

[Como esse post era pra ter saído na quarta-feira, vou comentar de assuntos daquele dia – ou seja, esse não conta pra quinta.]

Estava eu esperando a van que leva do meu trabalho para perto da minha casa junto com as outras pessoas argentinas do trabalho. Algumas eu conheço e trabalho diretamente, outras eu falo bom dia e até amanhã todo dia, mas não faço idéia de quem sejam. Devo admitir que não sei o nome de ninguém, independente de conhecer ou não. Mas isso já é outra história.

Fato é que a van demorou 10 minutinhos pra chegar e ficamos do lado de fora do edifício esperando ansiosamente pela sua presença.

Enquanto isso, batia um vento gelado e o sol já tava nos seus finalmentes, o que significa que devia estar fazendo uns 7 graus de sensação térmica. 7 graus!

Eu comecei a xingar. Não é possível! Que frio é esse! E essa van que não chega e tudo o mais.

As pessoas que me conhecem riram e tudo o mais com aquela cara de “esse brasileiro que só sabe o que é praia vem pra cá e fica reclamando quando bate um friozinho”. Até é verdade que eu não sei o que é frio [eu odeio frio], mas aquela galera também estava batendo queixo.

Algumas das pessoas que não me conhecem se acercaram pra entender por que aquele cara com sotaque estranho reclamava tanto. Então tive que contar a minha história portenha: por que saí do Brasil, há quanto tempo estou aqui, se eu gosto de viver aqui etc.

A verdade é que eu tenho esse papo quase todo dia – as pessoas ficam curiosas de saber de onde sou porque, afinal, meu sotaque é estranho pra elas e contar essa história repetidas vezes não muda muito isso.

Mas dessa vez, alguém finalmente me fez uma pergunta pertinente, mesmo que apenas para aquele momento. Me perguntaram se estava valendo a pena morar aqui em BsAs.

Cara, eu parei pra pensar, ali no meio da rua, esperando o cara da van que estava atrasada porque fecharam algumas avenidas por causa de protestos [que têm todo dia], naquele frio de casa da Xuxa, e respondendo à mesma pergunta pelo caralhésima vez e pensei “humm, acho que não. Queria muito mais estar no calor sufocante do Rio.”

Mas aí eu lembrei do porquê de ter vindo para cá. A minha metade-cara continua valendo a pena. Sem discussão. Sem pensar duas vezes. Sem nem hesitar na hora de responder. Adoro a nossa vidinha zona sul que vivemos aqui, num bairro lindo e tranqüilo, num apartamento lindo e futuramente bem decorado, com nosso filho argentino que só entende português e nossos futuros filhos que nascerão por essas terras pra poder terem mullets [porque só assim mesmo um filho meu, com o meu cabelo, poderá ter mullets na vida].

terça-feira, setembro 22, 2009

Nada não...

Acho que não existiria JB FM se não fosse o Phil Collins, o Simple Red, a Ana Carolina e a Adriana Calcanhoto.

Café con pedos

A vida no trabalho tá um pouco cheia, um pouco chata, um pouco deprimente.

E, apesar da primavera ter começado ontem com um dia lindo de solzinho agradável e flores pelas ruas, foi tudo um grandessíssimo engana-trouxa: o frio e tempo nublado com chuvinha irritante não nos larga. E isso só torna tudo um pouco mais deprimente.

Tenho dormido pouco e estou cansado com o tanto de coisa a ser feita em casa, no trabalho, no tempo que quero ter para curtir com a metade-cara e nosso filhote, comigo mesmo. Não tenho nem assistido aos filmes que baixo e às séries que consegui com amigos. As séries que vejo estão na sua última semana e semana que vem voltam outras tantas que vejo. Não durmo o tanto que gostaria e nem o tanto que deveria.

E enquanto espero meu café de máquina vagabunda ficar pronto no trabalho, leio o mural de recados e anúncios na copa do selvício. E me impressiono com a quantidade de anúncios de psicólogos, de spas relaxantes [e de karaokês, mas isso não tem nada a ver com esse post, então ignorem o que eu acabei de escrever] junto com textos de Mário de Andrade e outros correlatos hermanos sobre como a vida é bela.

É bom saber que não sou o único deprimido na empresa e que a argentinada toda à minha volta também anda por aqui como zumbis em Residente Evil esperando a Milla Jovovich vir nos matar.

Então voltei para o meu workspace quicando e peidando de café para bostar isso: tenho um bom motivo para não estar escrevendo há algum tempo por aqui: estou com pouco tempo para escrever e pensar no que quero dizer até que acabo esquecendo o que queria falar.

Vou tentar voltar a escrever, um bost por dia, só pra pegar no tranco até ter alguma coisa legal pra escrever. Enquanto isso, cafés e peidos estão no cardápio de acontecimentos do dia.

quarta-feira, agosto 26, 2009

A volta ao trabalho

Fui ao banheiro pra dar aquela cagada de fim de dia pra enrolar no trabalho e gastar o papel higiênico da empresa. Quando passo pelas pias, vejo um conhecido meu aqui do trabalho escovando os dentes pra ir embora.

Dou um oi e sigo meu rumo em direção ao sagrado troninho. Sento e começo a jogar no celular enquanto faço o que fui pra fazer.

O cara, acabou de escovar os dentes e começou a puxar assunto comigo. Eu já não gostei disso. Odeio cagar conversando com alguém. Quero paz e tranquilidade no meu momento de assinar a lei áurea.

Mas tudo bem, vamos ser simpáticos. O cara continua puxando assunto enquanto eu fico dando apenas respostas monossilábicas.

Então percebo que a voz dele se aproxima cada vez mais de onde estou. Ele abre a porta do reservado ao lado, senta e começa a peidar - tudo sem deixar o assunto morrer.

Taí outra coisa que odeio: cagar em companhia. Porra, eu já estou fazendo a maior sujeira da minha parte e ainda vem alguém contribuir pro ar poluído!? Fala sério! Aguentar minha própria sujeira é uma coisa, mas aguentar a sujeira dos outros é foda!

Enfim, continuo o papo pensando que é importante fazer o teatro social e tudo o mais. Termino o que tenho pra fazer, me limpo e vou limpar minha mão. O cara faz o mesmo e me encontra na pia.

Aí ele vira e fala que já está indo embora e vem me dar um beijo no rosto.

Adendum: nas Argentinas, homens se cumprimentam com um beijo na bochecha. Sempre.  E se você chega no trabalho ou está indo pra casa e não beija TODO MUNDO da empresa, nego fica MUITO puto com você e não te dá presente no seu aniversário. Eu gosto de receber presente de aniversário.

Muito bem, recapitulando: o maluco além de puxar assunto enquanto eu cagava, resolveu cagar junto E puxar assunto e, no final das contas, ainda queria dar um beijo na bochecha antes de lavar a mão e depois de dar uma cagada fedida como o diabo. Sim, porque apesar  da minha fábrica de quibe, o balançar das roseiras dele foi muito pior.

Aí mandei a sociabilidade pro caralho, mandei tomar no cu o desgraçado que inventou que brasileiro é sempre gente boa e feliz e falei que não rolava. E fiz cara de sério.

Acho que não vou ganhar presente de aniversário no ano que vem...

Todo meladinho

Não sei porque, mas há uma semana comecei a escutar a JB FM via internet enquanto trabalho.

Queria escutar músicas que não tivesse que escolher nem me preocupar. Já tinah escutado Cidade, Paradiso e MPB FM – resolvi dar uma chance pra JB.

E ela não tem me decepcionado desde então. É incrível como eles têm uma seleção impecável músicas mela-cueca da década de 80 até os dias de hoje.

Tem Simple Red, Phil Collins, Tears For Fears, Genesis, Sade, Cindy Louper, Simon and Garfunkel, Paul Simon, Simone, Roberto Carlos, Marisa Monte, Marina Lima, Jorge Vercilo, Ana Carolina e Belchior.

Estão todos do mundo mela-cueca juntinhos e meladinhos cantando suas musiquinhas meladas e pegajosas.

Estou viciado.

segunda-feira, agosto 24, 2009

No momento, não estou. Deixe seu recado após o bip.

Problemas de identificação me impedem de dormir. Acho que me perdi em algum momento e não consigo voltar a mim mesmo.

Ou eu era eu mesmo? Ou será que eu era outra pessoa e agora eu sou eu?

Bom, fato é que eu me esqueci/mudei/nunca soube várias coisas sobre mim e isso tá me deixando maluco. Ou são, sei lá!

Não digo que seja uma questão de descobrir que na verdade me chamo Tyler Durden e ando por aí em encontros de doentes terminais de câncer de próstata.

É só que eu tava precisando que alguém me dissesse quem sou eu, o que eu gosto de fazer, o que eu sou bom fazendo e o que eu devia fazer a respeito. Só isso. Simples assim.

Mas quando você percebe que não tem ninguém com quem você realmente e profundamente se identifique no momento, alguém que simplesmente sentaria do seu lado e diria algo do tipo “Cara, nem precisa falar nada que eu já saquei tudo. Vamos lá que eu vou te ajudar. Eu sei exatamente do que você precisa.”

Eu tenho excelentes amigos. Excelentes. Pessoas que eu amo de coração e que conhecem muito de mim. Mas não tudo.

Eu tenho uma esposa que é minha melhor amiga. Sem clichês. Mas às vezes, estar perto demais atrapalha na hora de ver as coisas. E eu preciso dela perto demais para ver outras coisas que só ela pode ver.

Mas o pior é olhar para a sua família e perceber que o cordão umbilical não só foi cortado como já secou, ficou preto e apodreceu no lixo. Não consigo me identificar em nenhum dos meus familiares – não o suficiente para os tipos de questões que eu preciso que respondam.

Mas aí eu penso com os meus botões: se eu não estou conseguindo me identificar com ninguém, ninguém mesmo, acho que não consigo me identificar em mim mesmo. E acho que é mais por aí. Por isso o início desse post. Em algum ponto do caminho eu ligeiramente me distanciei de mim e ainda não me achei.

E acho que o que mais me deixou bolado foi uma cena de um filme que eu vi ontem [e hoje de novo]: Ligeiramente Grávidos. O cara tá no parque com um pai de duas filhas pequenas e elas estão se divertindo absurdamente com bolinhas de sabão. Absurdamente. Aí o cara vira e fala “Queria gostar tanto de alguma coisa como essas crianças gostam de bolinhas de sabão neste momento”. Tipo, incondicional, sem restrições, sem limites, se jogando profundamente no prazer de simplesmente gostar de algo.

Eu queria descobrir isso em mim também. Acho que me ajudaria a me encontrar.

Tava precisando me descobrir como eu sou. Se tiver uma idéia, me avisaê!

terça-feira, agosto 18, 2009

Mais maior de grandes bem imensão mesmo baita enorme

Ontem à noite eu assisti de novo a Albergue Espanhol, um filme que eu já achava legal por méritos próprios.

É divertido, um foco interessante de assuntos de vestibular chatos e personagens comuns com quem você se identifica ou encontra algum amigo seu.

Fato é que já tinha gostado quando vi pela primeira vez. Mas ontem, eu redescobri o filme em um de seus pontos mais interessantes, mas que eu não tinha dado a devida relevância: ele está vivendo em outro país.

Cara, é incrível como eu me identifiquei com vários “aspectos menores” do filme, toda a questão da adaptação, de ser aceito, de ser sacaneado de tudo.

Bobeira de quem está com saudades de casa? Talvez. Mas acho que quem já passou ou passa por essa mesma situação consegue saber. E não é saudosismo da pátria-mãe afastada, mas sim uma questão um pouco maior.

Acho que nesse tempo de quase um ano fora do meu país, fora da minha cidade, fora dos meus círculos de amizades e família, fora da minha vida, descobri que a minha vida é muito maior do que essas coisas todas. E todas elas também.

Acho que me descobri maior do que eu mesmo.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Fixação

Depois de passar uma tarde trabalhando em casa ao lado da patroa, eu de licença por conta da perna e ela super-gripada, a verdade é que ela ficou o tempo todo comentando as receitas do Canal Gourmet.

Eu sei que em determinado momento, começou um programa cujo o tema é: receitas da vovó. As mães ou avós dos cozinheiros apresentadores dos programas do canal apresentam uma receita do seu feitio.

Só sei que a mulher que apareceu era muito estranha. Além de estar usando uma mega ombreira estilo “Working Girl”, ela mexia os braços enquanto produzia sua receita mas o corpo não se movia um centímetro. Parecia um fantoche cujo manipulador do boneco só mexia os fios dos braços.

Só sei que a tal “receita da vovó” da mulher nada mais era que uma salada. Mas era uma salada em que tudo era recheado.

O tomate era recheado. O ovo era recheado. O rabanete era recheado. A azeitona era recheada. Só faltava a mulher rechear a porcaria da ervilha!!!

Incrível.

E você via na cara da velha a expressão de alegria e profundo prazer em rechear tudo o que podia, tudo o que tinha na frente.

Eu pensei comigo “Freud explica: essa mulher tem uma puta fixação anal não resolvida.”

Beleza, quem sou eu pra falar de fixações anais depois dos posts dessa semana? Mas o fato é que eu não ando por aí imaginando que legumes eu poderia acrescentar à minha salada pra deixá-los bem recheadinhos. Eu não!

O pior é que a salada ficou igualzinha às saladas que a minha avó fazia. E iguais às que a avó da minha metade-cara também fazia. E aposto que iguais às que as suas avós fazem ou faziam. Até o sorriso de satisfação ao apresentar o prato era o mesmo!

Ou seja, foi toda uma geração com sérios problemas de fixação. Ainda bem que eu sou da geração X e tomo Pepsi.

quinta-feira, agosto 13, 2009

No Limite

Bom, vou dividir com todos uma peculiaridade que eu tenho: eu tenho hora marcada para sentar no trono.

Todo dia, mais ou menos no mesmo horário, eu preciso adubar o vaso.

Não tem jeito. Ignorar só piora a situação para mim e para quem estiver em volta.

Bom, dito isso, devo lembrar a todos que eu estou com o pé imobilizado porque torci o tornozelo.

Todo dia faço fisioterapia que fica a duas quadras aqui de casa – o que significa que é perto demais para pegar um táxi, mas longe o suficiente para demorar 20 minutos pra eu chegar mancando.

Todo dia eu já saio da fisioterapia pensando em dar um choque de ordem no banheiro o mais rápido possível e é torturante o percurso até chegar no meu meditation room.

Hoje, Deus quis dar aquela sacaneada e me deixou preso no elevador por 20 minutos.

Cara, fiquei 20 minutos preso dentro do elevador, sozinho, sem luz e com a criança por nascer.

Resolvi que não havia o que fazer e tive que aliviar a pressão. 20 minutos suspirando pelo lado errado dentro de um ambiente fechado.

Só sei que quando o cara da assistência técnica do elevador abriu a porta junto com a zeladora do prédio a minha mãe, os três torceram o nariz quase que imediatamente.

Tô nem aí! Saí daquela câmera de gás e fui correndo pro banheiro fazer o meu Pollock do dia.

Triste...

quarta-feira, agosto 12, 2009

Vida de cão

Não é surpresa para ninguém que pensamos em ter filhos. Não rola agora por motivos mil.

Por isso, compramos um cachorro pra dar uma aliviada na vontade e nos testarmos um pouco.

É que nem aquele filme da Sandra Bullock: se você conseguir manter uma planta viva por um ano, você vai e compra um cachorro. Se mantiver o bicho E a planta vivos por um ano, você arruma um filho.

Pois bem, matamos a planta mas compramos o bicho – foda-se a Sandra Bullock!

*****

Por conta disso, temos aprendido muito sobre como nos comportamos quando temos que cuidar de alguém, como reagimos às dificuldades e, principalmente, na hora de disciplinar o cão.

O blog da Carol tem os detalhes disso, então não vou repetir o que ela escreveu tão bem [puxa-saco!].

Basta contar que tivemos que buscar ajuda do Encantador de Cães.


Sim, porque a cada vez que o Chimi fazia alguma coisa errada ou se descobria alguma coisa errada, a Carol soltava um berro de leão na selva avisando que tá com fome.

O coitado do cachorro saía correndo pra baixo do sofá e não saía nem a pau.

O pior é que, na última vez que rolou isso no outro dia, eu tava na sala quieto na minha quando veio o berro.

Se eu não estivesse com o pé imobilizado e o tornozelo ferrado, tinha saído correndo também.

*****

Comprar cachorro = teste pra filhos e maridos.

*****

Pra terminar, olha como eu já fui fofo [e sempre me identifiquei com cachorros].

terça-feira, agosto 11, 2009

As incertezas da vida

-Temos que fazer algo, sabe?
-Sei.
-Não sei...
-Eu também não.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Rapidinhas

Eu ouvi no rádio uma notícia pra lá de bizarra: uma mulher nos EUA [é claro] resolveu que vai se casar com um carrossel.

Isso mesmo, aquele brinquedo de ficar rodando no mesmo lugar.

Aparentemente, ela gosta muito, mas muito mesmo desse carrossel. Já andou no brinquedo mais de 5.000 vezes nos últimos cinco anos.

O brinquedo fica num parque de diversões a mais de 300 quilômetros de onde a mulher mora e ela visita o parque pelo menos duas vezes por ano.

Como parte do processo, ela resolveu adotar o sobrenome do fabricante do brinquedo como seu: Wagner.

Aparentemente, essa senhora tem um problema psicológico [dã!] que faz com que ela só sinta prazer sexual quando mexe com algum objeto específico.

Algumas mulheres escolhem um pepino, outras escolhem um carrossel, vai entender.

Fato é que a mulher só pode ser feliz quando dá uma voltinha no seu brinquedo dos sonhos.

*****

Agora as perguntas que não querem calar:

Como assim ela vai casar? Tem algum cartório e padre que vai aceitar essa comunhão?

Onde eles vão viver? Aposto que ela não tem uma cama que caiba o seu esposo.

O que os donos do parque de diversões acha dessa história? Eles venderam o brinquedo pra ela? Que burrice! Ele [e ela] era garantia de grana entrando o ano inteiro!

*****

Sobre o Clube do Vento Livre

Bom, alguns dos meus amigos, recém-solteiros, decidiram que o bom da vida é peidar. Isso é que significa ser feliz na vida.

Então resolvemos que devemos nos comunicar quando soltamos um peido digno de nota e trocar fotos de cocos bem esculpidos.

Mesmo não sendo solteiro, fiquei honrado em ser convidado para tão distinto clube. Assim sendo, resolvi dividir com todos algumas histórias minhas e do Chimi sobre o ilustríssimo assunto.

O Chimi é um cachorro que sabe o que quer com sua merda. Ele vai lá, caga e depois reaproveita a merda pra brincar ou pra lanchar, mesmo.

E é um cachorro também que peida. Além do hálito agradável de cu, por conta dos seus lanchinhos, ele tem o agradável hábito de soltar seus suspiros anais nos mais variados momentos.

Inclusive dormindo – o que descobri pela patroa que foi algo que ele copiou de mim. Mas ele peida podre dormindo – eu não.

Dentre as coisas desagradáveis que uma pessoa faz e que deixa os outros incomodados, mas que algum dia pode se voltar contra o próprio:

1) Ronco – conheço mais de uma pessoa que acordou assustada com o próprio ronco.
2) Arroto – conheço mais de uma pessoa que, brincando, foi arrotar na cara da outra e depois teve que abraçar a privada pelo que veio a seguir.
3)Peido – o Chimi é a única “pessoa” que conheço que já acordou assustada com o próprio peido. E não foi pelo barulho.

Eu, particularmente, só me lembro agora de uma história humilhante a respeito do tema. Eu estava num acampamento e todos já tinham dormido. Fiquei só eu e uma menina que eu pretendia levar para a minha barraca naquela noite.

Papo vai, papo vem, aquele ambiente gostoso e agradável, a conversa rolando solta e bem direcionada quando resolvo brincar de tambor com a minha barriga.

Vale dizer que na época eu fazia capoeira, então minha barriga era de tanquinho [que gay isso!].

Então, lá fui eu dar umas batidinhas na barriga e no meio do caminho das mãos para a dita cuja eu lembro qual tinha sido o almoço: feijão. Basta dizer que eu e o feijão não somos bons amigos. Eu adoro ele, mas ele sempre me sacaneia.

Fato é que não adiantou nada me lembrar disso. Meu cérebro foi lento demais na lembrança e no aviso à mão – e ela foi certeira no alvo.

Assim, no meio da paquera [beleza, falei que nem meu pai agora], eu solto aquele pum esporrento tipo motoca que não quer pegar. E podre. Ela não quis mais se meter na mesma barraca que eu.

*****

Torci meu tornozelo jogando futebol com a argentinada. Acontece.

Fato é que isso desencadeou uma série de acontecimentos na minha vida, alguns estranhos, outros doloridos.

A primeira é que não agüento mais ficar sozinho em casa. Saco e deprimente. Mas não preciso mais falar sobre isso porque já está no post anterior.

A outra foi que eu não tenho controle sobre o meu pé. Não mais.

Fui na fisioterapia e a mulher botou uns eletrodos na minha canela que fazem o meu pé ficar chutando sozinho, sem eu mandar. Eu fiquei muito bolado na primeira vez que isso aconteceu. Muito! Mas agora já me acostumei.

O pior foi na noite passada. Estava dormindo sonhando que jogava futebol. No meio da história, resolvi marcar “aquele” gol e chutei a patroa. CA-RA-LHO! Acordei urrando de dor. A Carol acordou assustada e eu passei o dia com essa merda mais inchada que o normal.

Você sabe que Deus te odeia quando: 1) ele faz você cortar a ponta do dedo que você usa pra tirar meleca; ou 2) ele resolve fazer você dar chutes dormindo – coisa que você nunca faz antes na sua vida.

*****

Chega. Já falei besteira demais.

domingo, agosto 02, 2009

Eu sei

Eu sei que eu devia escrever mais neste blog. Contar um pouco mais do que acontece aqui, devanear um pouco mais sobre o tudo ou sobre o nada e fazer umas piadas no meio do texto.

Mas não sai. Não consigo organizar minha mente para produzir textos, pra elaborar tudo o que tenho dentro da cabeça e não sai e o nada que tenho dentro de minh’alma que se esvai.

Eu sei que eu devia fazer mais coisas. Mais cursos, mais textos, mais viagens, mais compras, mais limpezas, mais amores, mais brincadeiras, mais conversas, mais trabalho, mais alegria e mais vontade. Eu devia fazer mais vontade. Mas não sai.

Eu acho que sei o porque disso tudo mas a verdade é que se me perguntassem não saberia dizer. Nada disso me é estranho e me surge como algo surpreendentemente novo.

Queria dizer que é um ciclo. É um ciclo. Relendo meu próprio blog eu percebo este ciclo claramente ao longo dos anos. Não é uma questão de como, quem, onde, quando, por que ou com quem. É só uma questão de o quê.

E o que é isso. Falta de palavras que digam por mim o que não sai de dentro espontaneamente.

O que mais me assusta é que não estou só. Nunca estive fisicamente nem emocianalmente. Mas descubro que a situação é mais conjunta do que parece. Infelizmente para todos em conjunto, mas felizmente para todos individualmente.

Não é bom se sentir só.

sexta-feira, julho 03, 2009

Da masmorra à torre do castelo

Era uma vez uma menina que morava num calabouço. Ele era escuro e frio. Era cheio de mofo por tudo quanto era canto e mal ventilado. Não tinha janelas, nem luz do sol. Tinha certas partes dele que eram tão sujas que pareciam ter um chão de terra. Era verde que nem o vômito do Hulk e barulhento: dava para ouvir todos os outros moradores do castelo passando, conversando e até fazendo suas necessidades. Tinha sua própria assombração que volta e meia surgia na janela para passar toda a noite choramingando e gemendo. Um dia começou a cair uma cachoeira do teto no meio do calabouço. Era incrível como tudo seu parecia feio, sujo, velho, mal ajambrado e triste. Sua vida parecia como que embaçada.

Mas aí ela conseguiu fugir daquela masmorra e da bruxa má que era a dona dele.

E foi morar numa torre. Lá tudo é super iluminado e quentinho. Tudo é limpinho e arejado. É cheio de janelas, cheio de luz do sol. É novinho em folha. Todo branquinho recém-pintado e silencioso: só dá para ouvir o barulho dos pássaros e do vento. Os outros moradores do castelo são quietos e fazem siesta por toda a tarde. Tem sua própria banheira de hidromassagem. É incrível como tudo que parecia feio, sujo, velho, mal ajambrado e triste, agora parece lindo, limpo, novo, bem arrumadinho e feliz. Como a sua vida, que agora parece um brilho só.

E viveu feliz para sempre!

sexta-feira, junho 26, 2009

Genial

http://www.dosisdiarias.com/2009/06/2009-06-26.html

Ou comemos as vacas ou comemos os gorilas

Então, depois de passar alguns meses torturantes de trabalhos forçados absurdos e desumanos, vou tentar resumir um pouco alguns textos que pensei neste tempo mas que não tive tempo e/ou energia para escrevê-los.

*****

A vida no subte

A vida no subte acho que não difere muito de uma cidade para outra. O metrô do Rio tem o mesmo problema que o daqui: muita gente ao mesmo tempo agora.

Enfim...

Para contornar um pouco esse incômodo, eu leio sempre um livro na viagem. Sempre em pé porque, embora morasse perto da penúltima estação e, portanto, só deveria haver o pessoal de uma estação antes de eu entrar no trem, eu nunca consegui me sentar.

No outro dia, estava tranqüilamente lendo o meu lilvro e noto que uma menina de uns seis anos está sentada com sua mãe perto de mim. Ela não parava de se mexer, olhando de um lado para o outro e eu não conseguia tirar os olhos dela.

Não, não desenvolvi nenhuma tara pedófila. A criança simplesmente brilhava em meio à escuridão que era aquela gente do metrô. Enquanto todos estavam quietos, com uma expressão vazia no rosto e um ar de resignação exalando pelos poros, ela simplesmente se maravilhava com tudo ao seu redor.

Foi um pouco impactante perceber como as pessoas – incluindo eu mesmo – se afogam nas suas rotinas diárias e nem percebem. Como somos capazes de simplesmente passar por partes da vida como se alguém tivesse apertado o FastFoward ou o roteirista tivesse dado um corte de cena e você estivesse simplesmente se dirigindo para a próxima cena relevante a ser gravada do filme da sua vida.

Fato é que a menininha simplesmente achava tudo muito interessante e se recusava a passar por aquele momento como se fosse apenas uma espera para o próximo momento a acontecer. Claro que tudo é incosciente para ela, mas não deixa de ser interessante de ser notado.

Depois de pensar algumas estações sobre isso, a menina desceu e eu voltei àquele mundo acinzentado dos adultos à caminho da próxima cena relevante da vida. Tinha suspendido de novo meu livro e voltado a ler quando percebi a senhora sentada na minha frente com um olhar um pouco espantado.

“Será que depois de velhos nósvoltamos a nos interessar pelos pequeno momentos da vida?” Então notei que ela olhava com certa atenção e sem querer olhar ao mesmo tempo para a capa do meu livro.

Virei a capa e li em espanhol o título “Erecciones, eyaculaciones, exhibiciones”, do Bukowski, e via o desenho de uma mulher pelada com os peitos destacados.

Dou de ombros e volto a ler.

Acho que fiz minha parte para tornar o mundo melhor e tirei a senhora do seu marasmo cotidiano.

*****

Esse era pra ser pro Chimi em um dado momento que não existe mais e, se tudo der certo, nunca mais vai voltar.

Então, nesse momento, ele deve ser um tanto quanto brega e desencontrado. Antes era só brega.

Maybe I didn't treat you, quite as good as I should have.
Maybe I didn't love you, quite as often as I could have.
Little things I should have said and done,
I just never took the time.
You were always on my mind, You were always on my mind
You were always on my mind.

Maybe I didn't hold you, all those lonely, lonely times.
And I guess I never told you, I'm so happy that you're mine.
If I made you feel second best, girl I'm so sorry I was blind.
You were always on my mind, You were always on my mind
You were always on my mind.

Tell me......, tell me that your sweet love hasn't died.
Give me......, give me one more chance to keep you satisfied, satisfied.
Middleplay

Little things I should have said and done, I just never took the time....
You were always on my mind, You were always on my mind
You were always on my mind.
Middleplay Only basspick the chord fast

Maybe I didn't treat you, quite as good as I should have.
Maybe I didn't love you, quite as often as I could have.
Maybe I didn't hold you, all those lonely, lonely times.
And I guess I never told you, I'm so happy that you're mine.

So happy that you're mine.

A versão do Elvis, tá. Não a do Pet Shop Boys.

*****

Às vezes fico com a impressão de que se eu desse um Ctrl+C / Ctrl+V nos meus dias de trabalho, ia dar no mesmo.

Acho que estou me repetindo até nos temas dos posts...

Merda!

*****

Tá e o que significa o título deste post?

Sei lá!

Eu tava passando pela rua quando vi isso pixado como um manifesto político na parede de uma casa velha.

Quem sou eu para questionar o senso político argentino? Eu só passo adiante.

sexta-feira, junho 05, 2009

Muita falta de ambição

ou Coisa de gordinho, mesmo...

Estava eu andando na rua quando vejo um caminhão de entrega de queijos em frente ao uma mercadinho.

Ao ver todas aquelas fotos lindas de queijos deliciosos estampadas na caçamba do caminhão pensei com os meus botões: “se derem mole, eu roubo esse caminhão inteiro pra mim!”

Cheguei até a diminuir a velocidade até quase parar ao passar em frente ao dito cujo.

Cara sem ambição é foda!

quinta-feira, maio 28, 2009

E a vida?

Imagine uma criança feliz. Ela está em cima de um pequeno morrinho na fazendo do avô. O morro é todo gramado e desce até um grande e largo pasto. No fundo do pasto está a casa do avô que acabou de chegar da cidade – provavelmente com algum presentinho adocicado para mimá-la.

Ela sai correndo morro abaixo sentindo o vento refrescante de um final de tarde calorento de verão. Embora seja ela que se movimente, parece que, na verdade, é o gramado do morro que se move na sua direção e fica para trás.

Sua silhueta contra o sol a se por atrás da casa do avô se estende quando ela decide abrir os braços em meio à corrida e deixar-se levar pela emoção da velocidade que alcança.

Seus cinco ou seis anos de idade só lhe permitiram aproveitar plenamente o ato se sua boca estivesse aberta, como se ela quisesse engolir o mundo na sua corrida desgarrada para a alegria.

É descendo o morrinho, em meio ao gramado, com a brisa do final da tarde refrescando sua pele, o sol enquadrando sua silhueta, de braços abertos, de boca escancarada e com uma alegria infinita no coração que a criança nos seus inocentes cinco ou seis anos de idade sublimemente tropeça numa raiz de árvore e cai no chão de cara numa bosta de boi.

****************

Foi assim que nos sentimos esta semana.

Na sexta da semana passada encontramos um apartamento que adoramos e decidimos sair deste que não gostamos tanto. Era bonitinho e tinha tudo o que gente queria num apê porteño.

Avisamos à dona da nossa atual moradia que sairíamos até o fim de junho e começamos a empacotar os livros e dvds [nós temos um monte de livros e dvds].

Na terça [segunda foi feriado aqui] descobrimos que não podíamos alugar o incrível apartamento que desejávamos tanto. Parece que a imobiliária implicou com a nossa fiadora – no caso, a empresa da Carol – e rolou uma troca de palavrões entre o advogado da imobiliária e o da empresa.

Alguns boludos, pelotudos e a concha da mãe e da irmã dos dois depois, ficamos sem apê novo e com um mês pra sair do velho.

Desespero completo.

Estávamos sozinhos nesse mundo frio de três graus Celsius e gente falando chins e jarrú ao invés de jeans e yahoo.

[Mentira, temos amigos aqui que estão nos ajudando pra cacete e dando a maior força. Mas a gente quer mais amigos, a gente quer o resto dos nossos amigos TAMBÉM, poxa!]

Então decidimos que íamos sair pra comer num restaurante caro. Afinal de contas, ninguém fica triste enquanto come uma comida deliciosa. Pedimos a promoção que comprava um vinho gostoso e vinha outra garrafa, ficamos bêbados, de pança cheia e efemeramente felizes pela deliciosa comida que começávamos a digerir.

Realmente, ninguém fica triste enquanto come uma comida gostosa – ditado de dois gordinhos.

****************

Bom, depois de procurarmos outros apartamentos, nos desesperarmos pela falta de sorte, brigarmos contra os sites mal-feitos dessa argentinada estúpida e querermos matar qualquer boludo que passasse pela frente [viu! isso pega!], encontramos um apartamento ainda melhor.

Com uma das melhores vistas de BsAs [porque eu sou in, sacou?], cobertura, apartamento novinho em folha e nos trinques – já decidimos que é esse que a gente quer.

****************

Enquanto isso, fica aquele frio na barriga da espera e da ansiosidade de não ter a confirmação imediata de que o novo apê é nosso e não de algum argentino de mullets escroto qualquer.

Pra passar o momento “arrancado pentelho a dentadas”, nada como um bom doce de leite que algum maravilhoso argentino de mullets fez pra gente comprar.





Afinal de contas, voltamos ao ditado de dois gordinhos:
ninguém fica triste enquanto come uma comida gostosa.

sexta-feira, maio 22, 2009

Já que é assim...

A passagem pelo Rio, embora efêmera, foi muito boa.

Encontramos os amigos queridos, a falta que eles fazem e o carinho que, mesmo à distância, não definha.

Encontramos com a família dela, a dor e a alegria misturadas e convertidas numa festa memorável.

Encontramos a minha família, a feijoada, a cerveja gelada, as piadas e as saudades.


No final das contas, tudo se resumiu a apenas uma frase:


“Minha avó me mandou tomar juízo.
Mas só tinha cerveja.”


Então tomei cerveja, vó!

terça-feira, maio 12, 2009

Being Seth Rogen

Bom, finalmente a natureza deu seu golpe derradeiro que me impede de negar de uma vez por todas a minha condição de nerd.

Agora eu uso óculos.

Fui buscar os meus ontem à noite, por isso ninguém sabe como ficou. Eu, me olhando no espelho, cheguei à conclusão que eu também não sei como ficou.

Só sei que ficou a cara do Seth Rogen, o ator e roteirista de comédias. Eu até gosto dele, mas nem acho que ele seria um exemplo a ser seguido.

Como a patroa levou a máquina fotográfica pro Rio, tudo o que eu tenho é a foto do Seth pros curiosos.


quinta-feira, maio 07, 2009

Como ter peitos grandes

Se você quer ter uma experiência que simule como é ser uma mulher com peitos grandes e um decote indecente, eu tenho a receita.

É muito simples.

Compre um filhote de cachorro e ande com ela na rua levando-o no seu colo.

É impressionante como as pessoas passam por você e não olha na sua cara. Elas não percebem nem a sua presença! Elas só têm olhos para o que vc tem no seu colo, só falam com o que você tem no seu colo e só querem brincar com o que você tem no seu colo.

É uma experiência interessante. Eu recomendo.



Chimi

quarta-feira, maio 06, 2009

Derretendo...


Acho que não deu certo...

O paradoxo do queijo suíço aplicado

-Cara, outro dia tive um problema sério no trabalho.
-O que houve?-Eu sento numa mesa antes da ponta das baias. Uma menina senta do meu lado, bem na ponta da fileira de mesas.
-Sim, e daí?
-Daí que uma outra menina veio falar com ela.
-E?
-E que ela tem uns peitões enormes de grandes.
-E?
-E que ela tava com uma dessas blusas que parecem que vão mostrar tudo no decote, mas o caimento acaba que nao deixa mostrar nada, sabe?
-Sei. Entao você não viu nada.
-Lá no trabalho as baias têm uma divisória de vidro nos lados.
-E?
-E que a divisória bate na altura da barriga.
-E?
-E que a mulher tava conversando com a menina quando resolveu dar uma olhada em algo na tela de computadora. Pra isso, abaixou e apoiou o abdomen na divisória, levantando os peitos e deixando o decote com a visão completa.
-Excelente! O que você fez?
-Eu fiquei no maior dilema, cara. Porque queria dar aquele conferidão brabo, completo e quase clínico. Afinal de contas, se tão mostrando, eu vou ver.
-É claro!
-Mas, por outro lado, se eu olhasse muito descaradamente, ela ia perceber, ia tirar os peitões e eu não ver mais nada, além de ficar com má fama no trabalho.
-É verdade...
-Era uma questão de olhar muito, curtir o máximo possível e ela rapidamente guardar o show ou olhar pouco, curtir o que desse e ter o show por mais tempo. É foda! Quanto mais eu olhasse, menos eu olharia!
-O que você fez?
-Fiquei tentando olhar o mais discretamente possível com o canto do olho, mas não por muito tempo seguido. Fiz de tudo: cocei o nariz com o ombro, atendi o telefone do outro lado, fingi que lia alguma coisa na minha divisória, fingi que tinha escutado alguém me chamar e o cacete a quatro. Até que cansei e comecei a olhar diretamente sem disfarçar. Ela percebeu, recolheu seus atributos e foi embora. Nunca mais apareceu aqui do lado.
-Boa!

quarta-feira, abril 08, 2009

SHii - O Wii para mulheres

Genial!

Está em espanhol, mas dá pra entender perfeitamente.

terça-feira, março 17, 2009

Fu-Deu

Devo dizer que realmente não me preocupo com a minha idade. Estou com 27, quase chegando aos 28 e quem mais se estressa com a minha aproximação dos 30 é minha metade-cara.

Se ela não tivesse me avisado, nunca perceberia que estou chegando perto dos 30 - achava questava só fazendo 28.

No entanto, uma lida rápida em O Globo Online, na parte mais sensacionalista do jornal - a sessão de Ciência, Saúde e Ecologia [ver mais aqui] mudou minha opinião sobre o assunto.

Se meus posts ficarem piores com o passar do tempo, já tá explicado o porquê.

domingo, março 15, 2009

A música

Um domingo de feijoada com os amigos brasileiros redicados em Bs As.

Nunca havia pensando o quanto era bom aqueles domingo em família em que você passa o dia inteiro comendo, bebendo e batendo papo, até perceber que a segunda-feira está logo ali, após a saidera.

Em homenagem a isso, a tal música que não conseguia lembra de jeito algum.


Eu não vou tomar mais saideira
Segunda-feira
Tenho que ir trabalhar
Estou nessa a semana inteira
Se eu tomar mais um copo
Só mesmo de maca vão me retirar
Agora, você mandou sair
Mais de uma rodada
É derrubada, eu já senti
Essa já é a décima-primeira
Que vem como saideira
E nada da gente sair
Enquanto houver garçom e geladeira
Vem sempre uma saideira
Que não deixa a gente dormir
Mas eu não vou tomar...


Pra minha família porteña.

sábado, março 14, 2009

Eu sabia do que dizia e não sabia

Rapaz, depois de alguns anos, várias experiências e uma mudança de país, acho que algumas conclusões do passado se resolveram finalmente.

Quem diria...

Reafirmando...

Meu problema com a, assim chamada pelos gordinhos recalcados, metadinha advém (nossa, esse advém ficou bunitu!!!) de um risco da satisfação. O produto consumido não satisfez inteiramente o meu desejo no ato compra do mesmo.

Etenda o porquê aqui.

quarta-feira, março 11, 2009

Vida de Solteiro

Na verdade, era pra ser “vida de marido cuja mulher está viajando e ele ficou sozinho em casa pra cuidar de tudo”, mas achei que ia ficar grande demais pra ser um bom título.

Fato é que estou sozinho em casa. É que nem criança: tá tudo desarrumado, durmo tarde assistindo TV, não lavo a louça, não escovo os dentes, não arrumo a cama e só como besteira.

Segunda-feira, cheguei em casa do trabalho com fome e fui abrir a geladeira pra ver o que tinha pra comer. Achei um delicioso cachorro-quente, esquentei e mandei pra dentro feliz da vida.

Não sei se foi por causa da salsicha – que já devia estar na geladeira há umas duas semanas –, do pão – que tinha uns mofadinhos que eu tirei e comi o resto –, ou se foi alguns dos condimentos – eu sempre desconfio da maionese, ainda mais por que estava nos finalmentes do pote.

Fato é que na madrugada desse dia brinquei de ser flor: passei a noite plantado no vaso.

Quem disse que não é dura a vida de humem sem mulher?

segunda-feira, março 09, 2009

TOC – Transtorno Compulsivo do Casal

Às loucuras de uma vida a dois se somam as doideras individuais. Essas maluquices, que se mantém escondidas do outro, mas que escapam de dentro de cada um quando menos se espera. Elas tomam forma através de exigências e maneirismos da rotina do casal.

Domingo, sentamos para almoçar e, enquanto me servia de arroz, ouço um “você não vai ficar fazendo buraco no arroz, não, né?”. Hein? Estava só me servindo. Mas, aparentemente, esta falta grave deveria ser redimida. Após nos servirmos, o arroz foi rearrumado na panela para que ficasse todo por igual, sem buracos.

Mas quem sou eu para falar alguma coisa? Depois de lavar a louça, arrumei os copos todos na secadora de forma que os copos de plástico fizessem uma coluna de cada lado. Depois uma coluna de cada lado com os copos de vidro grandes e, por fim, uma coluna no meio com os copos de vidro pequenos.

Acho que levei mais tempo arrumando essa merda do que lavando. É por isso que eu digo que há uma Thays Pacheca dentro de cada um de nós.

quinta-feira, março 05, 2009

Firme e forte

Apesar de toda a camapnha de difamação que tem aparecido nos meios, todas as mentiras e fofoquinhas maldosas, todas as fotos comprometedoras de carnaval e má-interpretações das fantasias [fui de mulher e não de mulher grávida].

Apesar de tudo isso, o Projeto Menino do Rio 2009 continua firme e forte.

Ontem descobri que perdi 3 quilos desde que comecei o projeto.

Vou ficar moreno, sarado e gostoso!!!!

domingo, março 01, 2009

O que eu quero ser quando crescer

Ou Top 5.

Em algum momento do início do ano, eu assisti ao filme Alta Fidelidade [de novo] e decidi escrever uma lista do meu Top 5 empregos da vida. O critério seria que nem dinheiro, ou conhecimento ou habilidade ou momento temporal ou lugar do mundo seriam impedimento para escolher minha profissão. Ou seja, eu poderia escolher fazer o que eu quisesse, quando eu quisesse, como eu quisesse, com quem eu quisesse e onde eu quisesse.

Acontece que eu tive muita dificuldade pra pensar nisso. Foi difícil mesmo. Por isso, pedi pra vários amigos fazerem as suas listas. Foi uma mistura de ajuda pra minha lista, com curiosidade, com uma pitada de empurrãzinho nas vidas deles.

Assim, segue abaixo a lista de todos os que me ajudaram e, por último, a minha.

CAROL
  • cantora pop famosérrema
  • chef de cozinha
  • professora
  • apresentadora do jornal nacional
  • decoradora de interiores
BRUNO FIUZA:
  • médico cirurgião: sempre me sinto um pouco picareta fazendo trabalho de ciências humanas. afinal, tudo pode ser "mais ou menos", "quase" etc. invejo quem trabalha com mínimas margens de erro.
  • escritor: oh, ainda dá pra chegar lá. esqueça a noção de escritor "alguém que publicou um livro". aqui, me refiro ao cara que pode viver única e exclusivamente disso.
  • soldado: essa é difícil descrever, mas vou tentar. queria saber como funcionava a cabeça de um soldado, ou qualquer patente superior, numa época em que guerra significava espada e mano a mano num campo de batalha. acho que devia ser uma coisa muito louca se expor tanto e ter como única opção matar a sangue frio, na lâmina. ou, pelas circunstâncias, era uma coisa menos assustadora ou então você precisava ter muito colhão. não precisa de uma época ou local específico, basta que tenha esse espírito.
  • baterista de uma banda de rock de fama internacional: preciso entrar em detalhes?
  • cozinheiro, na frança do século XVII, XVIII, ou XIV: porque foi a época em que nasceram grandes clássicos da cozinha. e, além disso, devia ser interessante cozinhar numa época anterior à geladeira.
CIANA LAGO:
  • atriz
  • mãe de 6 filhos
  • cantora
  • maquiadora
  • professora de dança
BRUNO ROEDEL:
  • Chefe de Redação Lance!
  • Roteirista de Cinema em uma indústria cinematográfica desenvolvida
  • Comentarista e/ou Narrador de Eventos Esportivos ao Vivo (Futebol ou Esportes Americanos, principalmente)
  • Dono de uma Assessoria de Imprensa
  • Técnico ou Assistente de um time de futebol grande
ANTÔNIA CANTO:
  • crítica de resorts, spas e hotéis de altíssimo luxo
  • crítica gastronômica
  • fotógrafa (muito bem paga) que viaja o mundo a trabalho
  • atriz de Hollywood
  • surfista de tow in
JUJU LUGÃO:
  • escritora
  • editora de livros
  • filósofa
  • neurocirurgiã
  • psiquiatra
ERIKA:
  • TV Executive de Development da NBC (ou alguma outra rede americana)
  • Jornalista da "Entertainment Weekly"
  • Roteirista de filmes (comédias, provavelmente)
  • Roteirista/produtora executiva de um sitcom/séries de comédia tipo "The Office", "30 Rock", ou até "SNL"
  • Dona/estilista de uma marca feminina jovem tipo "Leeloo", "Cantão", etc
BRUNO CORREIA:
  • zelador de ilha paradisíaca deserta: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL951796-5602,00-ANUNCIO+OFERECE+R+MIL+PARA+VAGA+DE+ZELADOR+DE+ILHA+PARADISIACA.html Prós: boa grana, não tem nada melhor do que combinar o projeto menino do Rio com um trabalho que vai exigir fisicamente e vai te dar um bronze. Contras: isolamento do mundo, perigo de você ser comido por um tubarão enquanto trabalha, necessidade real de saber mergulhar (não é o tipo de conhecimento que você pode mentir no no currículo, como "espanhol fluente" quando na verdade você tem apenas "portunhol instrumental". se exigem saber mergulhar, é provavelmente vai precisar mergulhar).
  • iatista profissional de regatas de volta ao mundo: Prós: viajar o mundo inteiro, contato com a natureza, fazer parte de um trabalho no qual é necessário companheirismo e trabalho físico, boa segurança das embarcações hoje em dia (tanto na construção, quanto na capacidade de se localizar). Contras: comer basicamente peixe por um longo período de tempo, ficar rodeado com um monte de macho por muito tempo, correr atrás de patrocínio, necessidade de competir para justificar o investimento do patrocinador -- por isso iatismo é esporte de rico.
  • baixista ou guitarrista de banda super famosa e rica: Pró: viajar o mundo, beber muito, dormir tarde, nunca se preocupar em pagar contas, baixo é o instrumento mais fácil. Contra: alcançar a fama, entrar em uma banda já famosa, ser um baixista tão ruim a ponto que isso prejudique o som da banda.
  • dono de plantação de maconha: pró: trabalhando na encolha, você pode ter sua plantaçãozinha e ainda faturar uns trocados. há a possibilidade de fazer o dinheiro aumentar facilmente (reaplicando o dinheiro recebido aumentando a produção). Uma das poucas coisas que aprendi na ECO foi que a contravenção é o melhor modo de obter lucro líquido (a prova de que essa idéia está certa é a crise mundial, na qual o segundo modo mais fácil de conseguir lucro líquido se provou um grande saco sem fundo, uma pirâmide gigantesca. no caso do investimento em drogas, entretanto, você está desde cedo ciente dos riscos, afinal, é uma atividade contraventora). Contra: é fora da lei, traz dilemas morais.
  • produtor de web cerca 1997: você não precisava ser bom para ganhar milhões. era ter uma idéia mais ou menos (quantos sites estúpidos não renderam milhões na época?). era só sair do mercado na hora certa (pré estouro da bolha), sacar a grana (dinheiro, não crédito ou ações de outras pontocom) e se aposentar (o dinheiro ganho nessa empreitada poderia ser aplicado para os trabalhos 2, 3 e 4).
PEDRO ROCHA:
  • Surfista Profissional. passar a vida me divertindo com algo que eu curto o suficiente para fazer o ano inteiro sem parar. Poder passar a vida eternamente no verão, viajando ao redor do mundo “em busca da onde perfeita”. Ter a simplicidade de acreditar que a única coisa que eu preciso na vida é uma boa série na praia - tudo o resto é apenas detalhe.
  • Escritor Existencialista do início do século XX. passar a vida viajando pelo mundo, questionando, analisando, compreendendo o mundo, as cidades, as pessoas, as culturas. Colocar todas as idéias em um caderninho sem pauta; quando desse na telha escrever um conto, escrever; quando desse na telha desenhar uma imagem, desenhar; quando desse na telha resumir toda a existência de um povoado em uma frase, duas linhas bastariam.
  • Carpinteiro. Passar a vida criando e montando móveis, desenhando as peças na cabeça, lichando o suficiente pra peça encaixar perfeitamente no seu devido lugar. É criar algo elaborado a partir de coisas bem simples. É o ato da criação em seu lado mais simples.
  • Professor. Passar o que sei pra alguém. Tudo o que sei. Qualquer coisa. Seguir adiante e fazer parte do conhecimento.
  • Não sei. Acho que ainda não descobri o que mais gostaria de fazer da vida profissionalmente. Mas gosto do rumo que minha vida está tomando agora e espero que conitnue feliz com as minhas escolhas, quer elas me levem pra alguma das opções acima ou não.

E você? Qual seria o seu top 5 empregos da vida?

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Uma noite de cines

Ontem à noite fomos assistir a dois filmes seguidos no cinema. Muito bom!

Slumdog Millonaire” é foda. Mereceu o Oscar. Filme que apresenta a típica história de amor, com todas as suas complicações e clichês. No entanto, apresenta um toque pop na música, sensível na ambientação e carismática nas atuações.

Os atores são incríveis. Fora a menina quando mais nova, que é meio sumida, todas as outras crianças são fenomenais. Você “compra” os personagens facilmente. Os atores adultos também são muito bons. O principal é perfeito. Dá pena e você torce pra ele, ao mesmo tempo em que percebe que ele não é tão coitadinho quanto parece. E a menina é linda.

O diretor ambientou na Índia sem cair nos clichês e complexos de culpa e crítica dos países desenvolvidos. Dá uma leve sacaneada nos americanos. E a música, ganhadora do Oscar, é muito irada! Fiquei com ela na cabeça por horas! Vou baixar!

O pessoal do cinema, inclusive, ficou até o final dos créditos pra ouvir a música toda e assistir à apresentação de dança dos personagens no melhor estilo “Rivaldo sai desse lago”. Batemos palmas ao final – ele mereceu.


Milk” é legal. O tema é mais forte, mais pesado e o filme tem um tratamento de assunto sério. Os atores, em geral, estão muito bem. Mas Sean Penn rouba a cena. O filme é ele. A história pode ser interessante, a direção e roteiro bem fechadinhos e tudo o mais. Mas que faz o filme é ele, Sean Espancoamadonnapraelaaprenderqueeusoumachopracaraleo Penn.

Atua como um homossexual com todos os trejeitos e clichês, mas sem ser uma caricatura. Não é um esteriótipo, é um personagem humano, carismático, alguém que você gosta de conhecer e saber da sua vida. Palmas para Sean.

sábado, fevereiro 14, 2009

Quando Chaves encontrou os Cavaleiros que dizem NÍ!

Em matéria publicada no G1 sobre o referendo na Venezuela, encontrei uma chamada, no mínimo, inusitada.

Não contente com todas as potenciais piadas associando o Fanfarrão Bolivariano ao personagem colorado, agora o site acaba com a seriedade do seu referendo pela emenda constitucional.



Para quem é fã de Monty Python e já assistiu ao “Em Busca do Cálice Sagrado”, a piada tá pronta. Pra quem não conhece, abaixo um clip com a cena relevante do filme.


quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Grosseria

Não sei se alguém lembra, mas havia no Cartoon Network um desenho animado chamado “A Vaca e o Frango”. Era uma vaca e um frango que eram irmãos e seus pais só existiam da coxa pra baixo, Era completamente non sense e incrivelmente genial.

Em um dos episódios, teve uma das cenas mais grosseiras que eu já vi na televisão em toda a minha vida. A Vaca começou a ganhar dinheiro extra trabalhando numa fábrica de leite. O Frango ficou com ciúmes e resolve trabalhar lá também. Chega pro encarregado da fábrica e diz que quer trabalhar. O cara fala que tem, primeiro, que provar a qualidade do seu leite. O Frango então, entra no banheiro, fica um tempo, e sai com um copo de leite!!!

Enfim...

Outro dia eu estava assistindo ao Gourmet Channel [sim, há um canal aqui de receitas 24 horas por dia – e é muito foda!] e começou um programa da Narda. A Narda é uma mulher muito gente fina que faz umas comidas gostosinhas e fáceis, sem aquelas prosopopéias todas dos chefs metidos a besta.

Ela estava fazendo um programa especial de culinária brasileira e, por isso, estava na Cobal do Humaitá, no Rio, entrevistando o pessoal para saber como comprar os melhores ingredientes.

Em determinado momento, conversando com um cara, ela diz que precisa comprar leite de boi. O cara corrige e diz que é leite de vaca. Ela, toda crente do seu português porteño, reintera que é leite de boi. Leite de vaca. Leite de boi. Leite de vaca.

Aí, puta por estar sendo corrigida no seu programa, vai e pergunta o por quê disso. O cara, se escangalhando de rir, explica que “leite de boi, é outra coisa”.

Acho que barrou a Vaca e o Frango.

A universalidade da babaquice

- Mãe, como foi a assembléia da sua saída?
- Foi um show de babaquice.
- “Show de babaquice”?
- É, show de babaquice.
- Por quê?
- Porque a babaquice é universal. Você sabe disso.

domingo, fevereiro 08, 2009

Fomos ao cinema hoje

Estávamos sentados, esperando o filme começar quando sentou um casal do lado da Carol. A mulher não parava de falar, mas até aí tudo bem, já que o filme ainda não tinha começado.

Os trailers começaram a passar e a mulher continuou falando. Aquela vozinha chata de Argentina afetada, paty, macérrima que se acha a gostosona mas não tem bunda pra apoiar seu achismo. Mas até aí tudo bem, o filme ainda não tinha começado.

O filme começou e ela continuou falando. Patati, patatá. Aquela porra não calava. Bom, vamos esperar pra ver se ela se manca, afinal de contas, o filme tinha acabado de começar.

Dois minutos depois, a mulher não parava de falar. A Carol levantou, levou a mão lá atrás e mandou-lhe um tapa no meio da fuça. Daqueles que estala bonito na bochecha [bem no estilo da amiga Liciane]. Quando eu olhei, a cara da mulher tava completamente vermelha, só cinco traços brancos cortavam aquela vermelhidão marcando o local onde os dedos da Carol encontraram seu destino.

O tapa ecoou no cinema e todo mundo virou pra olhar. A mulher ficou sem palavras. O cara que tava com ela parecia que tinha visto um alien de tão assustado que ficou. A Carol sentou-se calmamente e continuou assistindo ao filme, afinal de contas, ele já tinha começado.

O que eu fiz? Não tinha outra coisa que eu pudesse fazer. Levantei, olhei pra cara da mulher mala, apontei o indicador direto na sua cara e mandei um “iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”! Sentei e assisti o filme. Afinal de contas, ele já tinha começado.






P.S.: Nada disso aconteceu de verdade. A mulher ficou realmente falando, mas parou quando o filme começou. Mas que merecia levar uma tapa na cara, ah, isso merecia!