segunda-feira, agosto 24, 2009

No momento, não estou. Deixe seu recado após o bip.

Problemas de identificação me impedem de dormir. Acho que me perdi em algum momento e não consigo voltar a mim mesmo.

Ou eu era eu mesmo? Ou será que eu era outra pessoa e agora eu sou eu?

Bom, fato é que eu me esqueci/mudei/nunca soube várias coisas sobre mim e isso tá me deixando maluco. Ou são, sei lá!

Não digo que seja uma questão de descobrir que na verdade me chamo Tyler Durden e ando por aí em encontros de doentes terminais de câncer de próstata.

É só que eu tava precisando que alguém me dissesse quem sou eu, o que eu gosto de fazer, o que eu sou bom fazendo e o que eu devia fazer a respeito. Só isso. Simples assim.

Mas quando você percebe que não tem ninguém com quem você realmente e profundamente se identifique no momento, alguém que simplesmente sentaria do seu lado e diria algo do tipo “Cara, nem precisa falar nada que eu já saquei tudo. Vamos lá que eu vou te ajudar. Eu sei exatamente do que você precisa.”

Eu tenho excelentes amigos. Excelentes. Pessoas que eu amo de coração e que conhecem muito de mim. Mas não tudo.

Eu tenho uma esposa que é minha melhor amiga. Sem clichês. Mas às vezes, estar perto demais atrapalha na hora de ver as coisas. E eu preciso dela perto demais para ver outras coisas que só ela pode ver.

Mas o pior é olhar para a sua família e perceber que o cordão umbilical não só foi cortado como já secou, ficou preto e apodreceu no lixo. Não consigo me identificar em nenhum dos meus familiares – não o suficiente para os tipos de questões que eu preciso que respondam.

Mas aí eu penso com os meus botões: se eu não estou conseguindo me identificar com ninguém, ninguém mesmo, acho que não consigo me identificar em mim mesmo. E acho que é mais por aí. Por isso o início desse post. Em algum ponto do caminho eu ligeiramente me distanciei de mim e ainda não me achei.

E acho que o que mais me deixou bolado foi uma cena de um filme que eu vi ontem [e hoje de novo]: Ligeiramente Grávidos. O cara tá no parque com um pai de duas filhas pequenas e elas estão se divertindo absurdamente com bolinhas de sabão. Absurdamente. Aí o cara vira e fala “Queria gostar tanto de alguma coisa como essas crianças gostam de bolinhas de sabão neste momento”. Tipo, incondicional, sem restrições, sem limites, se jogando profundamente no prazer de simplesmente gostar de algo.

Eu queria descobrir isso em mim também. Acho que me ajudaria a me encontrar.

Tava precisando me descobrir como eu sou. Se tiver uma idéia, me avisaê!

4 comentários:

Julieta Abiusi disse...

Lembrei de uma música do Paulinho Moska (não sei se é dele, sei que ele canta), que diz "um cara saiu de dentro do espelho e o cara tinha minha cara...me olhava como que me conhecendo...ele era meu igual só q diferente...era meu irmão gêmeo mas não era meu parente". Por aí hehe.
Senta numa das tantas plazas de Buenos Aires e leva um papo sério com vc, Pedro. Pode funcionar!

Carol disse...

te entendo.
mas como vc mesmo disse, eu estou perto demais pra te dar alguma resposta...

espero que vc a encontre.

;)

Tais disse...

se vc conseguir alguma dica, me conta?
somos dois.

Júlia disse...

sei exatamente como é isso... mas no momento estou sendo movida por projetos, e o da vez... vc sabe!